Nelson Prudêncio nasceu
em Lins (SP). Ganhou prata e
bronze olímpicos no triplo, bateu o recorde mundial e foi duas
vezes vice-campeão do PAN.
Doutor em atletismo, é professor
da Universidade Federal
de São Carlos (SP).
Mesmo sem ganhar ouro, muitos atletas deixaram seus nomes na história dos Jogos Pan-Americanos. Muitos por protagonizarem célebres confrontos, em uma época em que eram raros os recursos do atletismo no País. Um desses fenômenos é Nelson Prudêncio, ganhador de duas medalhas de prata, em Winnipeg 1967 e em Cáli 1971. “Eram tempos diferentes, em que o atleta de ponta dependia basicamente do PAN e dos Jogos Olímpicos”, compara Prudêncio, vice-presidente da CBAt e doutor em atletismo pela Universidade de Campinas (Unicamp). “Em compensação, a longevidade do atleta era maior”, comenta.
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Prudêncio saltou 16,45 m em Winnipeg e só perdeu para o norte-americano Charles Craigg, com a marca de 16,54 m. Em Cáli, na Colômbia, encarou um duelo com o cubano Pedro Perez. Saltou 16,82 m, mas o rival atingiu a marca de 17,40 m, quebrou o recorde mundial e levou a medalha de ouro. Passados 36 anos, Prudêncio lembra do grande salto do cubano. “Ele mereceu o ouro”, reverencia.
Hoje professor da Universidade Federal de São Carlos (SP), Prudêncio lembra que ainda dividiria outro momento histórico de sua vida com o inesquecível João Carlos de Oliveira, nos Jogos Pan-Americanos de 1975. João havia despontado um ano antes e já era um concorrente de peso. A meta de Prudêncio era saltar acima de 17,44 m, o recorde mundial que estava em poder de Viktor Saneyev desde 1972. “Eu queria o recorde mundial, mas o João Carlos ‘estragou’ a brincadeira”, lembra, com bom humor. João já conquistara o ouro no salto em distância e saltou 17,89 m, batendo o recorde mundial de Saneyev no triplo. Prudêncio, com 16,85 m, foi o 4º lugar em seu terceiro PAN. “Estava a 900 km por hora e o João Carlos na velocidade da luz”, diz.
Entre o salto de 17,89 m de João Carlos de Oliveira no México e a marca de 17,90 m de Jadel Gregório na manhã de 20 de maio de 2007 no Estádio Olímpico do Pará, em Belém, passaram-se 32 anos. Curiosamente, Prudêncio estava presente nos dois, a alguns metros de distância – no primeiro como atleta, no segundo como dirigente da CBAt. “Você é um
pé-quente, Nelson, uma testemunha da nossa história, está sempre presente nos momentos espetaculares”, disseram-lhe ao sair do estádio em Belém. Nelson apenas assentiu com um sorriso de quem, como nenhuma outra pessoa naquele estádio, sentiu as emoções de quatro décadas de salto triplo. Sobre Jadel, havia sentenciado, um dia antes do salto em Belém: “Ele evoluiu muito nos últimos anos e está pronto para saltar 18 metros.”
Nos Jogos Olímpicos, Prudêncio ganhou a medalha de prata na Cidade do México, ao saltar 17,27 m em 17 de outubro de 1968. A marca se constituiu em recorde mundial e deu o vice-campeonato ao brasileiro, já que em seguida o soviético Viktor Saneyev saltou 17,39 m, bateu o recorde e levou o ouro. Quatro anos depois, nos Jogos de Munique, saltou 17,05 m e ganhou a medalha de bronze. |