ESPORTE LÍDER DO RANKING DO PAN
Atletismo já deu ao Brasil 114 medalhas em 14 edições dos Jogos.
Os Jogos Pan-Americanos foram realizados pela primeira vez em Buenos Aires, em 1951. Para concretizar este antigo sonho da comunidade esportiva continental, foi essencial a criação da Odepa (Organização Desportiva Pan-Americana), em 1940. Após o fim da 2ª Guerra Mundial, em 1945, os entendimentos levaram à escolha da capital argentina para sede da edição inaugural do PAN.
Antes, em 1937, surgiu a oportunidade para reunir países das três Américas em um evento esportivo. Naquele ano, foi realizada a Feira Internacional de Dallas, nos Estados Unidos. Os organizadores decidiram montar, paralelamente, eventos esportivos que ajudassem a atrair público para a Feira. Foram disputados torneios de atletismo e futebol, que historiadores consideram ancestrais do PAN, atualmente a segunda competição poliesportiva mais importante do planeta.
Na competição de Dallas participaram atletas de 10 países, com absoluto domínio dos norte-americanos, que conquistaram 13 dos 14 títulos em disputa. O Brasil levou seis atletas e melhor resultado foi conseguido por Marcio Castelar de Oliveira, ganhador da medalha de bronze no salto em distância.
Em Buenos Aires 1951, o atletismo iniciou a trajetória que o levaria ao primeiro lugar do Ranking Pan-Americano do COB. A equipe, selecionada pela antiga CBD, trouxe 9 medalhas da Argentina: 1 de ouro, ganha por Adhemar Ferreira da Silva no salto triplo, 3 de prata e 5 de bronze. Depois de 14 edições, completadas em Santo Domingo 2003, o esporte-base já deu ao País 114 medalhas: 37 de ouro, 34 de prata e 43 de bronze – veja relação completa dos medalhistas em página específica, neste site.
Competição quadrienal, o PAN seguinte aconteceu na Cidade do México 1955. Adhemar foi a sensação de toda a delegação brasileira, ao ganhar o bicampeonato no triplo com novo recorde mundial: 16,56 m. José Telles da Conceição subiu no pódio em duas provas: foi o 3º nos 200 m e no salto em altura. No total, os brasileiros ganharam 1 medalha de ouro, 1 de prata e 5 de bronze.
Chicago 1959 testemunhou um feito de Adhemar: ele ganhou o triplo e foi o primeiro brasileiro tricampeão pan-americano. O País ainda levou 1 medalha de bronze, graças a Wanda dos Santos, nos 80 m com barreiras.
Em 1963, já sem Adhemar e José Telles, que haviam deixado as pistas, o Brasil organizou o 4º PAN, em São Paulo. O atletismo ganhou 2 medalhas de prata e 6 de bronze. Em 1967, a cidade canadense de Winnipeg foi sede dos Jogos pela primeira vez (fez também os Jogos de 1999). O Brasil viu nascer um astro: Nelson Prudêncio, vice-campeão no triplo. O País ainda conquistou 1 medalha de bronze, com Aída dos Santos, no pentatlo. Cáli, na Colômbia, fez os Jogos de 1971, e o atletismo conseguiu 2 medalhas de prata e 1 de bronze.
Vinte anos depois de organizar o PAN pela primeira vez, a capital mexicana fez os Jogos de 1975 e mostrou ao mundo João Carlos de Oliveira. Na pista do Estádio Olímpico Universitário, o paulista de Pindamonhanga saltou 17,89 m.
E pela terceira vez um triplista brasileiro batia o recorde mundial do triplo na pista, depois de Adhemar em 1955 e Prudêncio, nos Jogos Olímpicos de 1968. Em 1975, além do triplo, João Carlos foi campeão também do salto em distância. O Brasil ganhou mais 1 medalha de prata e 2 de bronze.
João Carlos repetiu seus títulos em San Juan 1979, ano em que a CBAt, fundada havia dois anos, passou a responder pela formação das equipes nacionais ao PAN. No total, foram ganhas 6 medalhas: 2 de ouro, 1 de prata e 3 de bronze.
Na 9ª edição do PAN, em Caracas 1983, o atletismo deu um salto e trouxe 10 medalhas: 4 de ouro, 3 de prata e 3 de bronze. O destaque foi Agberto Guimarães, campeão nos 800 m e nos 1.500 m. Esmeralda de Jesus ganhou os 100 m e Conceição Geremias, o heptatlo.
O território norte-americano foi palco dos Jogos de 1987, na sede do atletismo local: Indianápolis. O Brasil ganhou 3 medalhas de ouro, 3 de prata e 2 de bronze. Joaquim Cruz levou o ouro nos 1.500 m, derrotando os favoritos Jim Spivey e Steve Scott, ambos dos Estados Unidos. Ivo Machado Rodrigues foi campeão na maratona, enquanto Adauto Domingues surpreendeu o norte-americano Henry Marsh e conquistou seu primeiro título nos 3.000 m com obstáculos.
Em Havana 1991 foram obtidas 10 medalhas. Pela primeira vez, numa mesma edição, o País conquistou 6 medalhas de ouro, além de 2 de pratas e 2 de bronze. Róbson Caetano da Silva foi campeão nos 100 m e 200 m e Adauto conseguiu o bicampeonato nos 3.000 m com obstáculos. Foram campeões também José Mauro Valente nos 1.500 m, Pedro Ferreira da Silva Filho no decatlo e Eronildes Araújo, nos 400 m com barreiras.
Na capital cubana, aliás, Eronildes iniciou sua trajetória para igualar o feito de Adhemar Ferreira da Silva, no PAN. Eronildes venceu sua prova também em Mar del Plata 1995 e Winnipeg 1999 e se tornou o segundo brasileiro a conquistar um tricampeonato pan-americano.
Além de Eronildes, foram campeões em Mar del Plata Joaquim Cruz, novamente nos 1.500 m, Zequinha Barbosa nos 800 m, Wander do Prado Moura nos 3.000 m com obstáculos e Carmem de Oliveira, nos 10.000 m. A equipe ainda levou mais 7 pódios, com 4 vice-campeonatos e 3 medalhas de bronze.
Em 1999, o Brasil foi a Winnipeg para estabelecer seu maior feito na história do PAN. Foram ganhas 7 medalhas de ouro, 5 de prata e 4 de bronze. Além do tricampeonato de Eron, os brasileiros ganharam ouro em provas de modalidades diferentes: no salto em distância, com Maurren Maggi, no lançamento do disco, com Elisângela Adriano, nos 10.000 m, com Elenilson da Silva, na maratona, com Vanderlei Cordeiro de Lima.
O grande nome da equipe, porém, foi Claudinei Quirino da Silva, que subiu quatro vezes no pódio. Ele ganhou ouro nos 200 m e no 4x100 m (nesta prova com André Domingos, Edson Luciano e Raphael de Oliveira), foi prata no 4x400 m (com Sanderlei Parrela, Anderson dos Santos e Eronildes Araújo) e bronze nos 100 m.
No 14º PAN, em Santo Domingo, novamente a equipe conquistou 16 medalhas: 5 de ouro, 5 de prata e 6 de bronze. Já na primeira prova em brasileiros subiram ao pódio, os 5.000 m, um feito histórico: Hudson de Souza (ouro) e Marilson Gomes dos Santos (bronze) ganharam, respectivamente, as medalhas de número 99 e 100 para o atletismo nacional.
Na maratona, pela primeira vez um atleta conquistou o bicampeonato e a honra coube ao Brasil, com Vanderlei Cordeiro de Lima. Hudson venceu também os 1.500 m, Márcia Narloch foi campeã na maratona feminina e o 4x100 m masculino levou o bicampeonato, com Vicente Lenilson de Lima no lugar de Raphael de Oliveira, em relação ao time ganhador da prova quatro anos antes.
Por Benê Turco
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