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Nossos Atletas Olímpicos

CLAUDINEI QUIRINO

Superação de limites

Um corredor absolutamente confiante nas próprias possibilidades.

Não foram poucos os problemas na vida de Claudinei Quirino da Silva. Mas este brasileiro de Lençóis Paulista foi à luta, superou obstáculos e ganhou destaque no grupo de elite dos atletas mais velozes do País. Construiu carreira sólida, com a conquista de medalha olímpica e pódios em Campeonatos Mundiais, Jogos Pan-Americanos e no IAAF Grand Prix. Ele só começou a competir aos 21 anos. Tinha 29 quando chegou a melhor fase da carreira.

Nos Jogos de Sydney em 2000, Claudinei foi 6º nos 200 m (20.28), mas teve desempenho fundamental na conquista da principal medalha brasileira na Austrália, a de prata no 4x100 m. Fechou o revezamento em 37.90, recorde sul-americano, com Vicente Lenilson, Edson Luciano Ribeiro e André Domingos (Cláudio Roberto Souza correu a semifinal). Os EUA ganharam o ouro (37.61) e Cuba o bronze (38.04). Os EUA precisaram cravar o melhor tempo do ano para vencer o Brasil. Claudinei definiu esse momento com emoção: “Superamos todos os nossos limites, corremos com o coração”. Foi peça fundamental no 4x100 m do Brasil várias vezes. Os colegas de time diziam que ele “passava por cima do adversário” para fechar o revezamento.

O melhor ano de sua carreira foi 1999. Nos Mundiais de Sevilha, em agosto, ganhou prata nos 200 m, atrás apenas do americano Maurice Greene. Em 12 de setembro, deu o troco: derrotou Greene no IAAF Grand Prix Final, em Munique (ALE), com 19.89, título nos 200 m e recorde sul-americano, ainda em vigor. Melhorou em 7 centésimos a marca que havia uma década era de Robson Caetano.

Na mesma temporada, Claudinei foi o maior destaque da seleção nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, no Canadá, com ouro nos 200 m e no 4x100 m, prata no 4x400 m e bronze nos 100 m.

Em 1999, Claudinei tinha menos de 10 anos de uma carreira que deslanchou a partir de 1992, quando foi para Presidente Prudente treinar com Jayme Netto Jr. Nei, como é conhecido, viveu num orfanato em Pirajuí até os 15 anos de idade. De volta a Lençóis Paulista, arrumou emprego de balconista na lanchonete de um posto de gasolina, onde conheceu Tião, frentista que fazia atletismo e o iniciou na modalidade.

Em 1995, surpreendeu ao obter índice para os Mundiais de Gotemburgo, na Suécia. Foi mais longe: chegou à final e ficou em 5º lugar. Uma contusão o impediu de completar a preliminar dos 200 m nos Jogos de Atlanta, em 1996. Em 1997, deu a medalha de bronze ao Brasil nos Mundiais de Atenas, nos 200 m. Em 1998, repetiu a dose nos Jogos da Amizade de Nova York. Aí vieram a incrível temporada de 1999 e a medalha olímpica, no ano seguinte.

Em 2001, nos Mundiais de Edmonton (CAN), já reclamava de lesão no púbis. Passou por delicada cirurgia. Ainda voltou. Em 2003 marcou 20.30, um dos 20 melhores tempos do ano, e ajudou o Brasil na conquista do bicampeonato no 4x100 m no Pan de Santo Domingo, República Dominicana.

Decidiu deixar as pistas no Troféu Brasil Caixa, em 16 de junho de 2005, em São Paulo, vencendo uma de suas provas favoritas, o 4x100 m, como o segundo homem do quarteto de Botucatu. Terminou a carreira como campeão brasileiro. Hoje, integra o Programa Heróis Olímpicos da CBAt, mantido pela Caixa Econômica Federal.


 

 

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