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Nossos Atletas Olímpicos

NELSON PRUDÊNCIO

Da pista para a cátedra

Paulista ajudou a consolidar a tradição brasileira no triplo e hoje é professor universitário.

Duas medalhas olímpicas e um recorde mundial fazem de Nelson Prudêncio um dos principais personagens do atletismo nacional, além da condição de nome integrante do trio que consolidou a tradição brasileira no salto triplo. Acabou em outro peito o ouro olímpico, que parecia certo para o brasileiro nos Jogos na Cidade do México, em 1968. Mas nem por isso este negro esguio e elegante deixou de ser um fenômeno do esporte no “País do futebol”. Ainda mais porque foi protagonista de um dos mais célebres confrontos entre triplistas de nível mundial, que quebraram cinco vezes o recorde da prova na capital mexicana, em outubro daquele ano.

No último salto da prova final, o soviético Viktor Saneyev saltou 17,39 m, superou o recorde mundial de 17,27 m estabelecido pouco antes por Prudêncio e ficou com o título olímpico. Já o paulista de Lins – que quebrara a marca de 17,23 m do próprio Saneyev – garantiu a medalha de prata. Antes de Saneyev e Prudêncio, o italiano Giuseppe Gentile movimentara o recorde duas vezes e ficou com o bronze ao saltar 17,22 m na final. Um dia antes, na prova de qualificação, com um salto de 17,10 m, Gentile superara o antigo recorde, que era 17,03 m e pertencia havia oito anos ao polonês Jósef Schmidt.

Foram muitos os momentos importantes na carreira de Prudêncio, que cresceu em Jundiaí, entre o trabalho, o estudo e as peladas de futebol. O atletismo, propriamente, conheceu tarde, aos 20 anos, já em 1964. Ainda hoje, doutor em atletismo pela Universidade de Campinas (Unicamp), e professor na Universidade Federal de São Carlos, ele admite que “viveu sua glória” no México. Com apenas quatro anos de atletismo e uma medalha de prata no PAN de Winnipeg em 1967, Prudêncio tinha um plano que muitos consideravam ousado: superar o recorde sul-americano, que era de 16,56 m e fora estabelecido na mesma Cidade do México pelo também brasileiro Adhemar Ferreira da Silva, 13 anos antes.

A disputa emocionante com Saneyev e Gentile levou Prudêncio ao recorde mundial que – embora superado em seguida – deu ao Brasil mais um pódio olímpico no triplo. “Aquele momento foi sensacional”, declarou o brasileiro, anos mais tarde.

A segunda participação olímpica de Nelson Prudêncio aconteceu quatro anos depois, nos Jogos de Munique, na Alemanha, em 1972, em evento marcado por um atentado contra a delegação israelense, que levou à morte 16 pessoas. Mesmo sem condições ideais para fazer sua preparação, Prudêncio conquistou sua segunda medalha olímpica. Desta feita, a de bronze, com um salto de 17,05 m. Ele ficou atrás de Viktor Saneyev, que conquistou o bicampeonato com 17,35 m, e do alemão oriental Jorg Drehmel, medalha de prata com 17,31 m.

Nelson Prudêncio esteve em três Jogos Pan-Americanos. Em Cáli, em 1971, repetiu Winnipeg e ganhou sua segunda medalha de prata. Na cidade canadense, sua marca havia sido 16,45 m e na cidade colombiana, 16,82 m. Em Cáli, competiu com o cubano Pedro Perez, que atingiu a marca de 17,40 m – recorde mundial – e levou o ouro. Quatro anos depois, em 1975, voltou à Cidade do México 1975, saltou 16,85 m e ficou em 4º lugar na prova vencida por João Carlos de Oliveira. “Foi quando o João espantou o mundo com o novo recorde mundial (17,89 m)”, lembra.

Nelson Prudêncio, aos 64 anos, agora é vice-presidente da Confederação Brasileira de Atletismo. Ele continua ensinando na Universidade Federal de São Carlos, no interior de São Paulo – atividade exercida desde meados da década de 1970. Também incentiva novos atletas, graças ao programa “Heróis do Atletismo”, idealizado pela CBAt e patrocinado pela Caixa Econômica Federal. “Atuo como animador da prática atlética, ao lado de outros ganhadores de medalhas olímpicas no atletismo”, explica.

 

 

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