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Histórico
Na raiz do moderno atletismo
A prática do atletismo surge com a evolução do homem no planeta, há milhares de anos. Já o atletismo, no formato atual, surge em meados do Século 19, na Inglaterra. E em sua raiz estão as provas de cross country, na verdade, corridas disputadas em campo, com obstáculos naturais. Atualmente, as competições de cross country intercalam terreno acidentado com obstáculos especialmente colocados no circuito.
Hamilton, na Escócia, foi a sede do primeiro Campeonato internacional da modalidade. Participaram equipes das nações britânicas: Escócia, Inglaterra, País de Gales e Irlanda, com dupla vitória inglesa: na prova individual, com Alf Shrubb, que fez os 12,9 km da prova em 46:23.
Em 1908, a competição foi disputada fora das ilhas britânicas pela primeira vez. A sede foi em Paris, mas a Inglaterra manteve o domínio: ganhou por equipe e individualmente, com Archie Robertson. O primeiro não britânico a ganhar a competição foi o francês Joseph Guillemot. Por equipe, a França também ganhou e provocou a primeira derrota da seleção da Inglaterra.
O primeiro não-europeu campeão foi o marroquino Rhadi Bem Abdesselem, que fez o percurso de 14,5 km 43:33. Até 1972, o Campeonato cresceu e passou a receber atletas de todos os continentes. Mas apenas duas vezes o evento foi organizado fora da Europa: em 1967, em Rabat, no Marrocos, e em 1969, em Tunis, na Tunísia.
Em 1973, a IAAF oficializou a competição como o Campeonato Mundial de Cross Country. A disputa aconteceu em Waregem, na Bélgica. Os campeões foram o finlandês Pekka Paivärinta (adulto masculino), o britânico Jim Brown (júnior masculino) e a italiana Paola Cacchi (feminino). Em 1989, no Mundial de Stavanger, na Noruega, foi introduzida a prova juvenil feminina e a primeira campeã foi a sueca Malin Ewrlöf.
Até 1972, o maior campeão do evento foi o belga Gaston Roelants. Um dos grandes fundistas da segunda metade do Século 20, ele ganhou quatro vezes a competição: em 1962, 1967, 1969 e 1972. No feminino, a primeira campeã foi a inglesa Gladys Lunn, em Dublin, na Irlanda. Mas a dona do maior número de títulos é a norte-americana Doris Brown, pentacampeã, de 1967 a 1971.
Nos anos 80, as equipes africanas passaram a dominar as competições de cross e em 1981 a Etiópia foi a campeã. Nesta nova fase, com cinco vitórias cada, os grandes astros são os quenianos John Ngugi (1º em 1986, 1987, 1988, 1989 e 1992) e Paul Tergat (1º de 1995 a 1999). No feminino, o grande nome é Grete Waitz, da Noruega, também cinco vezes campeã: 1978, 1979, 1980, 1981 e 1983.
Nos anos 2000, o principal nome é o etíope Kenenisa Bekele. Campeão juvenil em 2001, ele venceu na categoria principal de 2002 a 2006. Em 2002, ele ganhou também a prova curta do Mundial, instituída em 1998 e disputada pela última vez no ano passado.
O melhor da América do Sul na prova longa masculina é o argentino Antonio Silio, 17º colocado em Antuérpia 1991. Outro bom resultado foi o 6º lugar da equatoriana Janeth Caizalítin, na prova juvenil feminina em Boston 1992.
No Brasil, o ano de 1988 representa um marco na modalidade. Neste ano, a CBAt instituiu a Copa Brasil de Cross Country. A melhor participação brasileira no Mundial de Cross Country, por equipe, aconteceu em Stavanger, na Noruega, em 1989, com a 10ª colocação. Individualmente, o melhor resultado na prova longa masculina é o 27º lugar de Daniel Lopes Ferreira, na Cidade do Cabo 1996. Na corrida curta, o melhor é João Carlos Leite, 29º em Marrakesh 1998. Na categoria juvenil, dois nomes dividem a melhor posição do País (22º lugar): Émerson Vettori, em Boston 1992, e Marilson dos Santos, na Cidade do Cabo 1996.
Melhores brasileiras: Roseli Machado, 26ª na corrida longa, em Budapeste 1994; Maria Cristina Rodrigues, 43ª na corrida curta, em Belfast 1999; e Fabiana Cristine da Silva, 25ª na categoria juvenil, em Turim 1997.
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