Nossos Medalhistas

Adhemar Ferreira da Silva

O mais importante atleta da história olímpica do Brasil

Único brasileiro a ganhar o mesmo evento individual em duas Olimpíadas seguidas. Recordista mundial d salto triplo cinco vezes. Tricampeão dos Jogos Pan-Americanos. Primeiro atleta a quebrar a barreira dos 16 metros. Estas são algumas das conquistas que credenciam o paulistano Adhemar Ferreira da Silva ao posto de maior nome da história olímpica do esporte brasileiro.

Homem diferenciado dentro e fora das pistas, Adhemar Ferreira da Silva era poliglota, formado em Direito, Belas Artes, Relações Públicas e Educação Física. Também foi comentarista esportivo, adido cultural do Brasil na Nigéria e participou do filme Orfeu Negro – do diretor francês Michel Camus, baseado em peça de Vinícius de Moraes –, vencedor da Palma de Ouro, do Globo de Ouro e do Oscar de melhor filme estrangeiro, em 1959.

Foi nos estádios, porém, que ele alcançou as maiores glórias de sua vida, sempre mostrando estilo elegante e altivo ao saltar. As mais importantes, sem dúvida, foram as duas medalhas de ouro conquistadas nos Jogos Olímpicos de Helsinque 1952, na Finlândia, e Melbourne 1956, na Austrália. Na primeira, após quebrar duas vezes o recorde mundial, ao saltar 16,12 m e depois 16,22 m, inventou a “volta olímpica” ao correr os 400 metros da pista para agradecer os aplausos.

Na cidade australiana, subiu novamente ao ponto mais alto do pódio, com 16,35 m, recorde olímpico. Esta conquista agregou à sua vitoriosa carreira o carinhoso apelido de “Canguru Brasileiro”. A despedida olímpica de Adhemar aconteceu com um salto de 15,07 m, nos Jogos de Roma 1960, na Itália, já com 33 anos.

Embora as medalhas de ouro olímpicas representem o ápice, Adhemar teve algumas de suas melhores performances em Jogos Pan-Americanos. Foi tricampeão em Buenos Aires 1951 (Argentina), Cidade do México 1955 e Chicago 1959 (Estados Unidos). Se tornou o primeiro atleta do Brasil a conquistar tal proeza, feito que custou 40 anos para ser igualado. No PAN da Cidade do México, fez a melhor marca de sua vida (16,56 m) e pela quinta vez estabeleceu o recorde mundial.

A carreira de Adhemar teve início quase por acaso, determinada exclusivamente por seu talento natural para as provas de salto. Aos 18 anos, após receber algumas explicações básicas, saltou 12,90 m e impressionou o técnico Dietrich Gerner, do São Paulo FC, que o convidou para defender o Tricolor.

Em dezembro de 1950, em São Paulo, Adhemar cravou seu nome de vez na história do salto triplo. Marcou 16,00 m e igualou o recorde mundial do japonês Naoto Tajima, que vigorava desde 1936. Em novembro de 1951, um dia após completar 24 anos, conseguiu a marca de 16,01 m, na pista do Fluminense, no Rio de Janeiro.

Adhemar Ferreira da Silva morreu no Hospital Santa Isabel, em São Paulo, em 12 de janeiro de 2001, aos 73 anos (nasceu em 29 de setembro de 1927). Mas não sem antes receber a Ordem do Mérito Olímpico – principal condecoração oferecida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) – e inúmeros títulos honoríficos em países como Finlândia, Japão, Austrália, além de entrar para o “Hall of Fame” da IAAF.

André Domingos da Silva

Talento precoce Bronze no 4x100 m em Atleta e prata em Sydney

Titular do 4x100 m da seleção por mais de uma década, André Domingos da Silva escreveu seu nome na história do revezamento nacional. Como integrante do quarteto que disputa a prova em equipe mais rápida do Atletismo, ele ganhou duas medalhas olímpicas: prata em Sydney 2000 e bronze em Atlanta 1996.

A história de André Domingos nos revezamentos ainda registra dois pódios em Campeonatos Mundiais de Atletismo: prata em Paris 2003 e bronze em Sevilha 1999. E ainda o bicampeonato nos Jogos Pan-Americanos: Winnipeg 1999 e Santo Domingo 2003.

André integrou equipes que obtiveram cinco recordes sul-americanos do 4x100 m: 38.42, em 3 de agosto de 1996, na semifinal dos Jogos de Atlanta (com Arnaldo de Oliveira Silva, Robson Caetano da Silva e Édson Luciano Ribeiro). No dia seguinte, na final, o quarteto marcou 38.41, para ganhar o bronze. Em 30 de julho de 1999, André também fez parte do grupo campeão do PAN em Winnipeg, com 38.18, ao lado de Raphael Raymundo de Oliveira, Edson Luciano Ribeiro e Claudinei Quirino da Silva.

Na final do Mundial de Sevilha, em 29 de agosto de 1999, o mesmo quarteto terminou em 3º lugar, com 38.05. Finalmente, na final olímpica de Sydney, em 30 de setembro de 2000, o time nacional fez 37.90. André correu ao lado de Vicente Lenilson de Lima, Edson Luciano e Claudinei Quirino. A marca estava entre as 10 melhores na história da prova.

O começo no esporte foi difícil para André, que tem história parecida com a de outros nomes que se consagraram no Atletismo. Sua mãe, Neide, trabalhava como empregada doméstica. A descoberta da vocação para o Atletismo foi natural e a porta para uma nova vida. Adolescente, ele deixou Santo André, na Grande São Paulo, para treinar em Presidente Prudente (SP).

Antes de completar 20 anos, estava na Seleção Brasileira que foi aos Jogos Olímpicos de Barcelona 1992. No ano seguinte, pela primeira vez disputou um Mundial de Atletismo, em Stuttgart. “Em Stuttgart, o Brasil começou a escrever sua história no 4x100 m”, lembra o atleta.

A partir do Mundial de Gotemburgo 1995 e até Paris 2003, o quarteto brasileiro, com várias formações, sempre foi à final. André disputou quatro edições olímpicas. Em Atenas, em 2004, o 4x100 m foi à final e ficou em 8º lugar, com 38.67.

André ainda passou por delicada cirurgia para conformação da arcada dentária, para melhorar a respiração, venceu preconceitos e aprendeu a valorizar suas conquistas.

Cresceu muito na segunda metade da década de 1990. Individualmente, ganhou duas medalhas no PAN: bronze nos 100 m em Mar del Plata 1995 e nos 200 m em Santo Domingo 2003. Nos 100 m, estabeleceu sua melhor marca em 25 de junho de 1999, quando fez 10.06 em Bogotá; nos 200 m, seu recorde pessoal foi obtido em Cochabamba, em 11 de maio de 2003, com 20.15.

André Domingos nasceu em 26 de novembro de 1972 em Santo André (SP) e em 2015 integra o PROGRAMA CAIXA HERÓIS OLÍMPICOS, da CBAt.

Arnaldo de Oliveira Silva

No adeus à Seleção, ganhou bronze no revezamento 4x100 m

Um dos principais velocistas do Atletismo nacional nas décadas de 1980 e 1990, Arnaldo de Oliveira Silva disputou quatro edições dos Jogos Olímpicos. E só encerrou a carreira, após a conquista da primeira medalha olímpica do revezamento 4x100 m, em Atlanta 1996. Também integrou a seleção em Los Angeles 1984 (quando a equipe foi finalista), Seul 1988 e Barcelona 1992.

Em Atlanta, Arnaldo deu adeus à Seleção. “Tive uma despedida em alto estilo”, brinca o carioca, nascido em 26 de março de 1964. A equipe estabeleceu duas vezes o recorde sul-americano do 4x100 m: 38.42 na semifinal e 38.41, na final. “Foi como num sonho”, recorda-se Arnaldo.

O revezamento foi à final aliando competência e sorte. O Brasil tinha Arnaldo de Oliveira, Robson Caetano da Silva, Édson Luciano Ribeiro e André Domingos Silva, e ficou em segundo lugar entre todas as equipes da fase semifinal. Duas fortes equipes, porém, a Grã-Bretanha e a Nigéria, foram desclassificadas por deixarem cair o bastão.

Na final, o Brasil levou o bronze. Arnaldo foi o primeiro homem, uma escolha natural para um velocista que, como poucos de sua época, largavam tão bem. Passou o bastão para Robson, que entregou a Édson e este para André, que fechou para garantir o pódio. O Canadá, com o então recordista mundial e jamaicano de nascimento Donovan Bailey à frente, derrubou os favoritos norte-americanos.

Arnaldo foi um dos expoentes de sua geração, que teve entre outros Robson Caetano da Silva e João Batista Eugênio da Silva. Enfrentou atletas mais velhos, como Nélson Rocha dos Santos, Katsuhiko Nakaya e Paulo Roberto Correia. E também contra os mais jovens, como Claudinei Quirino da Silva, André Domingos da Silva e Édson Luciano Ribeiro.

Em 1984, foi à sua primeira final olímpica, em Los Angeles, com o revezamento que também tinha Nakaya, Nélson Rocha e Paulo Correia. Foi à final e ficou em 8º lugar, com 39.40. Nos Jogos de Seul, Arnaldo obteve o seu melhor desempenho individual nos 100 m – foi 5º na série 2 da semifinal, 9o melhor tempo entre todos.

Arnaldo esteve nos Mundiais de Roma 1987, Tóquio 1991 e Stuttgart 1993. Disputou Mundiais Indoor e Jogos Pan-Americanos. Em 1988, ganhou a medalha de bronze nos 100 m no Campeonato Ibero-Americano da Cidade do México, com recorde pessoal (10.12).

Depois que parou de competir, continuou no esporte. Trabalha como fisioterapeuta e integra o PROGRAMA CAIXA HERÓIS OLÍMPICOS, da CBAt.

Claudinei Quirino da Silva

Corredor absolutamente confiante no próprio desempenho

Não foram poucos os problemas na vida de Claudinei Quirino da Silva. Mas este brasileiro de Lençóis Paulista (SP) foi à luta, superou obstáculos e ganhou destaque no grupo de elite dos atletas mais velozes do País. Construiu carreira sólida, com a conquista de medalha olímpica e pódios em Campeonatos Mundiais, Jogos Pan-Americanos e no IAAF Grand Prix. Só começou a competir aos 21 anos. Já estava com 29 anos quando chegou à melhor fase da carreira.

Nos Jogos de Sydney 2000, Claudinei foi 6º nos 200 m (20.28), e teve desempenho fundamental na conquista da principal medalha brasileira na Austrália: a prata no 4x100 m. Fechou o revezamento em 37.90, recorde sul-americano, com Vicente Lenilson de Lima Edson Luciano Ribeiro e André Domingos da Silva (Cláudio Roberto Souza correu a semifinal).

Os Estados Unidos ganharam o ouro (37.61) e Cuba o bronze (38.04). Claudinei definiu com emoção: “Superamos todos os nossos limites, corremos com o coração”. Foi peça fundamental no 4x100 m do Brasil várias vezes. Os colegas de time diziam que ele “passava por cima do adversário” para fechar o revezamento.

O melhor ano de sua carreira foi 1999. No Mundial de Sevilha, em agosto, ganhou prata nos 200 m, atrás apenas do americano Maurice Greene. Em 12 de setembro, deu o troco: derrotou Greene no IAAF Grand Prix Final, em Munique, com 19.89, título nos 200 m e recorde brasileiro em vigor ainda em julho de 2015. Ele superou em 7 centésimos a marca que havia uma década pertencia a Robson Caetano da Silva.

Na mesma temporada, Claudinei foi o maior destaque da seleção nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, no Canadá, quando ganhou ouro nos 200 m e no 4x100 m, prata no 4x400 m e bronze nos 100 m.

Em 1999, Claudinei tinha menos de 10 anos de uma carreira que deslanchou a partir de 1992, quando foi para Presidente Prudente. Nei, como é conhecido, viveu num orfanato em Pirajuí até os 15 anos de idade. De volta a Lençóis Paulista, arrumou emprego de balconista na lanchonete e um posto de gasolina, onde conheceu Tião, frentista que fazia atletismo e o iniciou na modalidade.

Em 1995, surpreendeu ao obter índice para o Mundial de Gotemburgo. Nesta cidade sueca, foi à final e ficou em 5º lugar. Uma contusão o impediu de completar a preliminar dos 200 m nos Jogos de Atlanta 1996. Em 1997, deu a medalha de bronze ao Brasil no Mundial de Atenas, nos 200 m. Em 1998, repetiu a dose nos Jogos da Amizade de Nova York. Aí vieram a incrível temporada de 1999 e o pódio olímpico no ano seguinte.

Em 2001, no Mundial de Edmonton, Claudinei já reclamava de lesão no púbis. Mesmo assim disputou o 4x100 m que chegou à final. Passou por delicada cirurgia. Ainda voltou. Em 2003 marcou 20.30, um dos 20 melhores tempos do ano, e ajudou o Brasil na conquista do bicampeonato no 4x100 m no PAN de Santo Domingo.

Decidiu deixar as pistas no Troféu Brasil Caixa de Atletismo, em 16 de junho de 2005, em São Paulo, vencendo uma de suas provas favoritas, o 4x100 m, como o segundo homem do quarteto que naquele ano defendeu Botucatu. Terminou a carreira como campeão brasileiro. Hoje, integra o PROGRAMA CAIXA HERÓIS OLÍMPICOS, da CBAt.

Edson Luciano Ribeiro

Velocista mostra sua importância como homem de equipe

Edson Luciano Ribeiro construiu sua carreira no Atletismo como “um homem de equipe”, brilhando nas provas de revezamento. Como André Domingos da Silva, estava na conquista de seis das mais importantes medalhas em disputa no 4x100 m no esporte internacional: prata olímpica em Sydney 2000 e bronze em Atlanta 1996; prata no Mundial de Paris 2003 e bronze em Sevilha 1999; ouro no PAN em Winnipeg 1999 e Santo Domingo 2003.

Paranaense de Bandeirantes, Edson Luciano Ribeiro nasceu em 8 de dezembro de 1972. Trabalhou como lavador de carros, mecânico e frentista, antes de conhecer o Atletismo, quando estava servindo o Exército, com quase 19 anos. Em 1994, mudou-se para Presidente Prudente para integrar a equipe que já contava com André Domingos.

Como segundo homem, às vezes terceiro, do revezamento, sempre foi um gigante, e não apenas por sua altura (1,90 m e 90 kg), a serviço da Seleção Brasileira. Falou com muita emoção da prata de 2000: “Vão passar 50 anos e vou lembrar do que aconteceu em Sydney. Fomos bem na preliminar, melhor na semifinal e na final subimos no pódio.” E com recorde sul-americano que persiste até hoje (julho de 2015), com 37.90.

Édson Luciano nunca teve medo de rivais na pista e sempre foi respeitado pelos colegas de equipe. Já chegou a dar o famoso “chega pra lá” em um concorrente durante os treinos, para defender o amigo André Domingos.

Tem orgulho de ter sido um dos mais perfeitos atletas de revezamento do Atletismo brasileiro. Esteve em todas as grandes competições, a partir de 1995. Além dos pódios conquistados, também disputou as finais dos Mundiais de Gotemburgo 1995 e Atenas 1997 – nas duas vezes a equipe foi 6ª colocada. A equipe, com Édson, também foi à final olímpica em Atenas 2004 e ficou em 8º lugar.

Não esconde uma ponta de tristeza quando fala do Mundial de Edmonton, no Canadá, em 2001. “Estávamos muito bem”, lembra. O 4x100 m foi à final com o melhor tempo das fases anteriores: 38.44 na preliminar e 38.23 na semifinal.

Os Estados Unidos, sempre favoritos na prova, haviam feito 38.35 e 38.60, respectivamente, mas foram desclassificados por invasão de raia. O júri de apelação cedeu ao apelo norte-americano e a equipe garantiu presença na final. Mesmo assim, o Brasil tinha condições de ir ao pódio e até de conquistar o ouro.

Na final, ninguém entendeu como aconteceu, mas a passagem entre os dois mais antigos atletas da equipe (Edson e o terceiro corredor, André Domingos) saiu errada e o bastão caiu. O Brasil não completou a prova. Édson se atirou de peito no chão e demorou para levantar.

Nas provas individuais, Edson foi vice-campeão ibero-americano nos 100 m em Lisboa 1998, com 10.14, seu recorde pessoal. Em 2003, venceu o Troféu Brasil Caixa de Atletismo, com 10.20, no Ibirapuera, em São Paulo, e garantiu a qualificação para o Mundial de Paris.

No fim de 2005, Édson deixou as pistas e ganhou um lugar no PROGRAMA CAIXA HERÓIS OLÍMICOS, da CBAt.

João Carlos de Oliveira

Dois pódios olímpicos e recorde mundial que vigorou por uma década

João Carlos de Oliveira, ou simplesmente João do Pulo, apelido criado pelo parceiro de equipe Benedito Rosa Preta e imortalizado no coração de todos os brasileiros, bem que poderia estar no rol dos campeões olímpicos. Talento não faltava ao atleta nascido em Pindamonhangaba, na região paulista do Vale do Paraíba. Um dos primeiros a falar isso era uma autoridade em Atletismo: Dietrich Gerner, o técnico que havia preparado Adhemar Ferreira da Silva para o bicampeonato olímpico na década de 1950.

No entanto, os árbitros que aturam na final do salto triplo nos Jogos de Moscou em 1980 invalidaram saltos que poderiam dar o título ao brasileiro. Tempos depois, João ainda falava, embora de forma discreta, que pelo menos um dos saltos anulados chegara bem perto dos 18. Teria sido suficiente para garantir o ouro e um novo recorde mundial, que não foi movimentado nos Jogos de Moscou, embora estivessem na prova final, além dele próprio, dono da melhor marca do planeta com 17,89 m, e o ex-recordista (com 17,44 m) e tricampeão olímpico Viktor Saneyev.

Pois quem reclamou de forma mais incisiva foi o próprio Saneyev. Pouco antes dos Jogos de Sydney em 2000, quase uma década após o colapso político da antiga União Soviética, ele disse acreditar que “coisas estranhas” haviam acontecido naquela final de 25 de julho de 1980. Saneyev afirmou que, aparentemente, “não interessava que certos atletas fossem campeões”. Nunca se provou que houve “algo estranho”, mas os árbitros que atuaram na prova foram muito criticados.

João Carlos era apontado como favorito ao título quando chegou a Moscou. Afinal, cinco anos antes, vencera o PAN na Cidade do México com um vôo espetacular de 17,89 m, obviamente recorde mundial, 45 cm melhor que o anterior. Os especialistas lembravam ainda que ele ganhara experiência ao participar, quatro anos antes, dos Jogos de Montreal. No Canadá, o soldado (depois sargento) do Exército brasileiro subiu ao pódio como 3º colocado. Para isso deu um salto de 16,90 m, ficou atrás do norte-americano James Butts (prata com 17,18 m) e de Saneyev (ouro com 17,29 m).

De fato em Moscou João já fez 16,96 m no 1º salto. Na terceira série de saltos, marcou 17,22 m. Os árbitros anularem seus outros quatro saltos. Ainda assim, conseguiu a medalha de bronze novamente. Saneyev ganhou a prata com 17,24 m, e outro soviético, Jaak Uudmäe, ganhou ouro com 17,35 m.

Mas o mundo do Atletismo sempre manifestou respeito pelo brasileiro, tanto que ele foi eleito um dos 10 m mais importantes triplistas no Jubileu da IAAF (1912-1987) – ele foi o 4º da lista de que, por sinal, fizeram parte também Adhemar Ferreira da Silva (3º) e Nelson Prudêncio (8º).

E seu recorde mundial no triplo durou 10 anos, até 1985.

João também foi atleta de ponta no salto em distância: finalista olímpico em 1976, em Montreal, quando ficou em 4º lugar, e também foi recordista sul-americano, com 8,36 m. Em Jogos Pan-Americanos é o recordista brasileiro em títulos: foi bicampeão no triplo e no salto em distância, nas edições da Cidade do México 1975 e de Porto Rico 1979.

Em 1981 ainda conquistou o tricampeonato na Copa do Mundo de Atletismo. Depois de vencer em Düsseldorf em 1977 e em Montreal em 1979, ele ganhou a competição pela terceira vez em Roma, em 1981, com 17,37 m – marca que foi recorde do Estádio Olímpico de Roma até o Mundial de 1987. Em sua última competição internacional, ganhou o título sul-americano em La Paz, na Bolívia, com um salto de 17,05 m, em 1981.

Porém, três dias antes do Natal daquele ano, ele trafegava pela Via Anhanguera, vindo de Campinas para São Paulo, e seu carro se chocou contra outro. O resultado o obrigou a passar por 22 cirurgias, o que não evitou a amputação de sua perna direita no ano seguinte. João entrou para a política e foi deputado estadual por dois mandatos. Morreu em 29 maio de 1999, um dia após completar 45 anos. Foi velado na Assembléia Legislativa e sepultado em Pindamonhangaba. Em 1988 recebeu a comenda “Emérito”, da CBAt.

Joaquim Cruz

Recordista olímpico aos 21 anos, ele foi um grande corredor de 800 m

A história é testemunha de que Joaquim Carvalho Cruz é um dos maiores corredores de 800 m do Atletismo mundial. O auge de sua carreira aconteceu nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 1984. Na competição, Joaquim superou o legendário britânico Sebastian Coe para ficar com o título. Ele marcou 1:43.00 na final da prova, em 6 de agosto, no Coliseu de Los Angeles, para ganhar a medalha de ouro. Este tempo vigorou como recorde olímpico por 12 anos. O brasiliense de Taguatinga, então, contava apenas 21 anos.

Coe, então recordista mundial da prova com 1:41.73, levou a prata, com 1:43.64, deixando para o norte-americano Earl Jones o bronze, com 1:43.83. Presidente do Comitê Organizador dos Jogos de Londres 2012, Coe teve que buscar o seu ouro em Los Angeles nos 1.500 m.

Quatro anos depois, aos Jogos de Seul 1988, Joaquim Cruz foi à final, em 26 de setembro, e liderou a partir dos 600 m, sendo ultrapassado apenas perto da linha de chegada pelo fenômeno queniano Paul Ereng, que marcou 1:43.45, para levar o ouro. O brasileiro levou a prata com 1:43.90 e deixou no 3º lugar outro astro do Atletismo nos anos 1980: Said Aouita. O marroquino ganhou o bronze, com 1:44.06.

Pouco depois dos Jogos de Los Angeles, Joaquim havia encostado no recorde mundial de Coe, ao ganhar o Meeting de Colônia, na Alemanha, com 1:41.77. Ou seja, numa prova de 800 m, ele ficou a 4 centésimos do recorde mundial. Até meados de julho de 2015, Joaquim era um dos cinco corredores a terem feitos os 800 m em menos de 1:42.00.

Não foram apenas as medalhas olímpicas que consagraram Joaquim Cruz. O atleta também deixou seu nome marcado nos registros dos Campeonatos Mundiais: aos 20 anos, em 1983, ganhou o bronze nos 800 m na primeira edição do Mundial, disputa em Helsinque 1983. Brilhou, ainda, nos Jogos Pan-Americanos: Indianápolis 1997 e Mar del Plata 1995, foi bicampeão dos 1.500 m.

A carreira de Joaquim foi, desde o início, surpreendente. Afinal, ele sonhava em ser jogador de basquete. Descobriu o atletismo em 1977, ao disputar o Campeonato Brasiliense Estudantil. Em competições oficiais, ganhou duas medalhas de ouro (400 m e 800 m), Aos 18 anos, em 1981, quebrou o recorde mundial juvenil dos 800 m, com 1:44.3, no Rio de Janeiro, durante o Troféu Brasil de Atletismo. Foi a senha para ganhar uma bolsa de estudos da Brian Young University, em Utah, nos Estados Unidos. Em 1983, sagrou-se campeão universitário norte-americano nos 800 m e 1.500 m. Depois foi para Eugene, no Oregon, sempre com o treinador Luiz Alberto de Oliveira.

O corredor também teve que enfrentar várias cirurgias e sofreu com crises alérgicas, que o impediram de ir aos Jogos de Barcelona 1992. Depois, em Atlanta 1996, viveu momentos inesquecíveis, quando foi escolhido porta-bandeira do Brasil no desfile de abertura dos Jogos Olímpicos.

Formado em Línguas Românicas pela Universidade de Oregon e em Educação Física pelo Nazarene College, Joaquim vive há mais de 30 anos nos Estados Unidos. Mora atualmente em San Diego com a mulher Mary e os filhos. Também integra o PROGRAMA CAIXA HERÓIS OLÍMPICOS, DA CBAt.

José Telles da Conceição

Saltador conquista a primeira medalha brasileira em Jogos Olímpicos

O eclético José Telles da Conceição fez história no Atletismo brasileiro, como o primeiro nome do Atletismo a subir no pódio olímpico. Tal fato aconteceu em 20 de julho de 1952, nos Jogos de Helsinque, na Finlândia. No dia da final, Telles saltou 1,98 m na primeira tentativa. Ainda tentou 2,01 m, mas não passou. Não importava mais: o pódio já estava garantido, porque seu concorrente direto, o sueco Gosta Svenson, só havia acertado 1,98 na terceira tentativa e falhou na busca de 2,01 m. Assim, o brasileiro ganhou bronze e Svenson foi o 4º colocado. Ouro e prata já tinham donos: os norte-americanos Walt Davis, com 2,04 m, e Ken Wiesner, 2,01 m.

O Atletismo era diferente nos anos 1950, até na técnica do salto em altura, feito de frente – as pernas iam antes do tronco, na ultrapassagem da barra. E José Telles, nascido em 23 de maio de 1931, tinha pouco mais de 21 anos, quando ganhou a medalha de bronze na capital finlandesa. Telles era um atleta eclético e o salto em altura era uma de suas provas.

“Ele tanto tinha velocidade horizontal quanto vertical”, explicaria muito tempo depois Ulisses Laurindo dos Santos, antigo corredor de 400 m com barreiras, colega de equipe olímpica de Telles. “Ele corria 100 m, 200 m, fazia 110 m com barreiras, salto em distância, triplo, salto em altura. Encarava até o decatlo”, afirma Ulisses, que ao deixar as pistas tornou-se jornalista esportivo.

Telles ainda competiu nos Jogos de Melbourne 1956 e foi finalista nos 200 m – terminou em 6º lugar, com 21.3 (21.56 na cronometragem eletrônica).

Ele tinha o sonho de menino de ser engenheiro. Mas após uma competição escolar de Atletismo, em que venceu todas as provas que disputou (curiosamente, só não ganhou o salto em altura), mudou de opinião. Em 1946, aos 15 anos, foi treinar no Vasco da Gama. Mais tarde, competiu pelo Flamengo, onde ganhou o apelido de homem-equipe, por causa do grande número de provas em que competia e vencia.

Ícone do atletismo no País, Telles alcançou a marca de 2 m no salto em altura em 1954, em São Paulo. O recorde só foi superado somente 19 anos depois, quando Irajá Chedid Cecy saltou 2,01 m, em Brasília. Em 1954, Telles recebeu o Troféu Helms, como melhor atleta da América do Sul. Era um dos mais importantes prêmios esportivos da época.

Nos Jogos Pan-Americano do México 1955, Telles ganhou duas medalhas de bronze: no salto em altura (1,91 m) e nos 200 m (21.4). Na volta, leu o que o colega Adhemar Ferreira da Silva escreveu na coluna “Sapato de Prego”, do jornal Última Hora: “Telles, embora com dores, não hesitou em disputar as duas provas.” Uma das medalhas do atleta não aparecia nos registros oficiais do COB. Estudos da Confederação Brasileira de Atletismo permitiram encontrar a medalha com a viúva de Telles (dona Cely), e os registros foram acertados.

José Telles tinha excepcionais aptidões físicas e tornou-se o maior detentor de recordes do atletismo nacional – estabeleceu 21 recordes em cinco provas diferentes. Terminada a carreira, em 1966 Telles passou a atuar como consultor da antiga Confederação Brasileira de Desportos (CBD), precursora da CBAt, da CBF e de outras Confederações. O primeiro medalhista olímpico do Atletismo brasileiro morreu em 18 de outubro de 1974, vítima da violência, assassinado a tiros no Rio de Janeiro.

Maurren Higa Maggi

Primeira brasileira a ganhar ouro olímpico em prova individual

Basta observar Maurren Higa Maggi, nos instantes que antecedem a corrida e o voo sobre a caixa de areia, para ver que aqueles olhos castanhos revelam absoluta confiança no que vai fazer. Essa postura vitoriosa, que se espalha por todo o 1,73 m da atleta, foi o que sempre impressionou o único técnico que a primeira mulher brasileira a ser campeã olímpica em evento individual já teve.

Treinada desde o inicio por Nélio Moura, teve o primeiro encontro com o treinador nos Jogos Abertos do Interior, realizado em Americana, cidade da região metropolitana de Campinas (SP), em 1992. Ela tinha 16 anos e saltou 5,40 m. Não era uma marca expressiva para quem já treinava, porém indicava boas possibilidades. Somente dois anos depois, quando iniciaram o trabalho conjunto, Nélio soube que Maurren não fazia nenhum treinamento organizado. Como muitas adolescentes, ela gostava de esporte, nada além disso.

Nascida no dia 25 de junho de 1976, na cidade de São Carlos, no interior de São Paulo, Maurren Maggi desde menina mostrou-se competitiva e apta para o Atletismo, esporte que exige força de vontade e determinação, além da boa estrutura física, com velocidade e técnica apurada. Os primeiros bons resultados já apareceram em 1996, quando alcançou 6,47 m. Maurren também mostrou versatilidade, pois alcançou boas performances ainda no salto triplo e nos 100 m com barreiras.

O nome de Maurren entrou para a história atlética mundial em 1999, um ano pródigo, quando saltou 7,26 m no Campeonato Sul-Americano de Bogotá, na Colômbia. Simplesmente, era uma das dez melhores marcas até então registradas na história do salto em distância feminino e a melhor da temporada. Foi um salto impressionante, mesmo que conseguido a uma altitude de 2.600 m e com vento a favor de 1,8 m/s.

A consagração ocorreu em 2008, em Pequim. Com um salto de 7,04 m logo na primeira tentativa, ela conquistou a primeira medalha de ouro feminina individual do Brasil.

Antes de 2008, nenhuma atleta do País havia superado o 4º lugar de Aída dos Santos no salto em altura, em Tóquio 1964.

Maurren é tricampeã do salto em distância no PAN – além de Winnipeg 1999, ganhou também no Rio de Janeiro 2007 e Guadalajara 2011. Foi finalista em cinco Campeonatos Mundiais de Atletismo: Sevilha 1999, Edmonton 2001, Osaka 2007, Berlim 2009 e Daegu-2011. Ganhou a medalha de bronze nos Mundial Indoor de Birmingham 2003 na Grã-Bretanha e a de prata em Valência 2008, na Espanha.

A lista de conquistas continuou. Foi vice-campeã na Copa do Mundo de Madri, na Espanha, em 2002, ano em que também levou o título do Grand Prix Final de Paris, na França, e ainda foi a 1ª no circuito da IAAF Grand Prix. Em 2001, foi campeã da Universíade de Pequim e dos Jogos da Amizade de Brisbane.

No salto triplo, foi recordista sul-americana com 14,57 m, marca conseguida em São Caetano do Sul, em 2003, e em julho de 2015 detinha o recorde sul-americano dos 100 m com barreiras, com 12.71, tempo alcançado em 2001, em Manaus (AM).

Nelson Prudêncio

Paulista ajudou consolidar a tradição brasileira no salto triplo

Duas medalhas olímpicas e um recorde mundial fazem de Nelson Prudêncio um dos principais personagens do Atletismo nacional, além da condição de integrante do trio que consolidou a tradição brasileira no salto triplo. Acabou em outro peito o ouro olímpico, que parecia certo para o brasileiro nos Jogos do México 1968. Mas nem por isso este negro esguio e elegante deixou de ser um fenômeno do esporte no “País do futebol”. Ainda mais porque foi protagonista de um dos mais célebres confrontos entre triplistas de nível mundial, que quebraram cinco vezes o recorde da prova na capital mexicana, em 7 de outubro daquele ano.

No último salto da prova final, o soviético Viktor Saneyev saltou 17,39 m, superou o recorde mundial de 17,27 m estabelecido pouco antes por Prudêncio e ficou com o título olímpico. Já o paulista de Lins – que quebrara a marca de 17,27 m do próprio Saneyev – garantiu a medalha de prata. Antes de Saneyev e Prudêncio, o italiano Giuseppe Gentile movimentara o recorde duas vezes e ficou com o bronze ao saltar 17,22 m na final. Um dia antes, na prova de qualificação, com um salto de 17,10 m, Gentile superara o antigo recorde, que era 17,03 m, e pertencia havia oito anos ao polonês Jósef Schmidt.

Foram muitos os momentos importantes na carreira de Prudêncio, que cresceu em Jundiaí, entre o trabalho, o estudo e as peladas de futebol. O Atletismo, propriamente, conheceu tarde, aos 20 anos, já em 1964. Depois, já doutor em Atletismo pela Universidade de Campinas (Unicamp), e professor na Universidade Federal de São Carlos, ele admite que “viveu sua glória” no México. Com apenas quatro anos de atletismo e uma medalha de prata no PAN de Winnipeg em 1967, Prudêncio chegou a uma condição que muitos consideravam ousado: superar o recorde sul-americano, que era 16,56 m, estabelecido na mesma Cidade do México pelo também brasileiro Adhemar Ferreira da Silva, 13 anos antes.

A disputa emocionante com Saneyev e Gentile “foi um momento sensacional”, declarou o brasileiro, anos mais tarde.

A segunda participação olímpica de Nelson Prudêncio aconteceu quatro anos depois, nos Jogos de Munique 1972, na Alemanha, em evento também marcado por um atentado contra a delegação israelense, que levou à morte de 16 pessoas. Mesmo sem condições ideais para fazer sua preparação, Prudêncio conquistou sua segunda medalha olímpica. Desta feita, a de bronze, com um salto de 17,05 m. Ele ficou atrás de Viktor Saneyev, que conquistou o bicampeonato com 17,35 m, e do alemão oriental Jorg Drehmel, medalha de prata com 17,31 m.

Nelson Prudêncio esteve em três Jogos Pan-americanos. Em Cáli, em 1971, repetiu Winnipeg e ganhou sua segunda medalha de prata. Na cidade canadense, sua marca havia sido 16,45 m e na capital colombiana, 16,82 m. Em Cáli, competiu com o cubano Pedro Perez, que atingiu a marca de 17,40 m – recorde mundial – e levou o ouro. Quatro anos depois, em 1975, voltou à Cidade do México 1975, saltou 16,85 m e ficou em 4º lugar, na prova vencida por João Carlos de Oliveira. “Foi quando o João espantou o mundo com o novo recorde mundial de 17,89 m”, lembra.

Nelson Prudêncio, já nos anos 2000, foi eleito vice-presidente da Confederação Brasileira de Atletismo. E continuou ensinando na Universidade Federal de São Carlos, no interior de São Paulo – atividade exercida desde meados da década de 1970. “Atuo como animador da prática atlética, ao lado de outros ganhadores de medalhas olímpicas no atletismo”, explicava Prudêncio.

O atleta morreu em 23 de novembro de 2012, em São Carlos, aos 68 anos.

Robson Caetano da Silva

Dois pódios olímpicos e três vitórias na Copa do Mundo de Atletismo

O velocista Robson Caetano da Silva foi símbolo da geração de velocistas que brilhou no Atletismo brasileiro do final dos anos 1970 à metade da década de 1990. Construiu uma carreira sólida, a base de títulos e recordes, a partir de 1979. Duas vezes subiu ao pódio olímpico: nos 200 m, nos Jogos de Seul 1988 e no 4x100 m, na edição de Atlanta 1996.

Os Jogos na Coréia do Sul praticamente não teve boicotes – as exceções foram Coréia do Norte, Cuba e Nicarágua. Assim, cerca de 10 mil atletas de 161 países marcaram presença. Entre eles, as três potências esportivas do planeta na época: a União Soviética, Alemanha Oriental e Estados Unidos.

Neste cenário, competindo contra grandes atletas, Robson levou o bronze nos 200 m com 20.04, em 28 de setembro. Ele dividiu o pódio com os norte-americanos Joe DeLoach (ouro com 19.75) e Carl Lewis (bronze 19.79), e deixou para trás o britânico Linford Christie, atleta que à época costumava frequentar pódios, mas que na prova foi o 4º colocado, com 20.09. Róbson ainda foi muito bem nos 100 m: terminou em 5º lugar, com 10.11. A prova teve vitória de Carl Lewis com 9.92 (recorde mundial), depois da eliminação por doping do canadense Ben Johnson, que ficara em 1º lugar com 9.79. Completaram o pódio Linford Christie, prata com 9.97, e o norte-americano Calvin Smith, com 9.99.

No 4x100 m em Atlanta, Robson compôs a equipe que teve, ainda, Arnaldo de Oliveira Silva, André Domingos da Silva e Edson Luciano Ribeiro. O quarteto quebrou o recorde sul-americano na fase semifinal, com 38.42, e na final, em 3 de agosto, fez 38.41. Na frente do Brasil apenas o Canadá, reforçado pelo então recordista mundial Donovan Bailey, com 37.69, e pelos Estados Unidos, medalha de prata com 38.05. “O atletismo não podia sair de Atlanta sem medalha”, disse Robson, na ocasião. “Acho que se fez um ótimo trabalho de equipe”, completou.

O carioca disputou quatro edições dos Jogos Olímpicos. Esteve ainda em Los Angeles, em 1984 (foi até a semifinal dos 200 m), e Barcelona, em 1992. Na cidade espanhola, ficou em 4º lugar na final dos 200 m, com 20.45, e ocupou a mesma posição na final do 4x400 m, com Edielson Tenório, Sidnei Teles de Souza e Sérgio Matias Franco de Menezes.

O menino Robson, nascido na zona norte do Rio em 1964, encontrou no Atletismo a oportunidade de construir uma carreira. Revelado pelo Pentatlo Nacional, programa patrocinado pela Coca-Cola, primeiro descobriu o salto em distância, orientado pela técnica Sonia Risseti. Os bons tempos nos 100 m e nos 200 m, ainda como juvenil, levaram Robson para as provas de pista. O primeiro pódio internacional relevante veio no Campeonato Pan-Americano de Juvenis, em Barquisimeto, na Venezuela, em 1982, com o ouro nos 100 m. Em 1983, estava na seleção principal que foi ao 1º Campeonato Mundial de Atletismo, em Helsinque, Finlândia.

Robson treinava, a esta altura, com Carlos Alberto Lancetta, e assim foi aos Jogos de Los Angeles e, um ano depois, em 1985, obteve seu primeiro grande sucesso: ouro nos 200 m na Copa do Mundo de Camberra, na Austrália, com 20.44. Em 1986 foi o 3º no Ranking Mundial dos 100 m com 10.02, marca obtida com a vitória no Campeonato Ibero-Americano, disputado em Havana.

Passou a trabalhar com Carlos Alberto Cavalheiro em 1987. No mesmo asno, ficou em 4º lugar no Mundial de Roma, posição que repetiria nos Campeonatos de Tóquio 1991 e de Gotemburgo 1995. No Mundial Indoor, ganhou bronze em Indianápolis, em 1987. Em 22 de julho de 1988, foi campeão ibero-americano dos 100 m com 10.00 na Cidade do México, tempo que até julho de 2015 se constitui em recorde sul-americano.

Em 1989 viveu sua grande temporada. Foi campeão do IAAF Grand Prix nos 200 m, estabeleceu seu recorde pessoal com 19.96, em 25 de agosto no Meeting de Bruxelas, quando derrotou entre outros o supercampeão Carl Lewis. No mesmo ano, venceu a Copa América em Cáli, com 19.7 nos 100 m, recorde mundial com cronometragem manual.

Nos Jogos Pan-Americanos, foi campeão dos 100 m e dos 200 m, em Havana, em 1991. Durante 10 temporadas, de 1985 a 1994 esteve entre os oito melhores do mundo nos 200 m.

Atualmente, ele integra o PROGRAMA HERÓIS OLÍPICOS DO ATLETISMO, DA CBAt.

Vanderlei Cordeiro de Lima

Brasileiro sobe em pódio heroico após show de garra e fair play

Vanderlei Cordeiro de Lima tem uma medalha olímpica na maratona, um bronze com gosto de ouro, conquistado nos Jogos de Atenas 2004. Foi no último dia dos Jogos, 29 de agosto, que Vanderlei foi apresentado ao mundo como herói. Ele driblou a adversidade da agressão de um espectador, o calor e ainda deu show de fair play.

Vanderlei ganhou a 13ª medalha olímpica do Atletismo nacional, numa disputa marcante – no percurso lendário feito pelo soldado Feidípedes, no século V aC, para anunciar a vitória dos gregos sobre os persas. Antes de Atenas, o melhor resultado do Brasil na maratona era o 10º lugar de Luiz Antonio dos Santos, em Atlanta 1996.

Vanderlei havia disputado, ainda, os Jogos de Sydney 2000, mas foi aos 35 anos, na plenitude de sua forma física e mental, que foi para uma disputa olímpica com absoluta confiança de que poderia brilhar. Ele chegou à Grécia após uma preparação meticulosamente planejada, de 45 dias, na altitude de Paipa, na Colômbia.

Desde o início dos 42,195 km Vanderlei manteve-se no pelotão dianteiro, ao lado de fundistas como o recordista mundial Paul Tergat, do Quênia, a quem tinha inicialmente como referência. O percurso ele já conhecia, da disputa da Copa do Mundo de Maratona de 1997, quando ajudou o Brasil a ganhar bronze, com Luiz Antonio dos Santos e Osmiro Souza Silva.

Assumiu a ponta antes do km 20, conforme o plano traçado com o treinador Ricardo D’ Angelo – buscou a ponta, passou o sul-africano Hendrick Ramaala e liderava com 40 segundos de vantagem sobre o segundo colocado, o italiano Stefano Baldini, à altura do km 37.

Um incidente, que ganharia as manchetes de todo o mundo e passaria para a história olímpica, atrapalhou o paranaense de Cruzeiro D’ Oeste, que trabalhou na lavoura na adolescência. Vanderlei foi empurrado por um manifestante que levava às costas mensagem confusa de teor religioso. Soube-se, logo depois, que se tratava de um irlandês, que já provocara confusões em outros eventos esportivos.

Os fiscais da prova, os voluntários e a segurança demoraram a agir. Vanderlei deve muito de sua recuperação ao apoio de populares que assistiam a prova naquele local, especialmente ao grego Polyvios Kossivas, que pulou as cordas que separavam o público dos corredores e liberou o brasileiro. Assim, o corredor pôde voltar à prova, apesar da perda de tempo e do abalo emocional.

Vanderlei foi ultrapassado por Baldini e pelo eritreu naturalizado norte-americano Meb Keflezighi. Ao cruzar a linha de chegada, com a certeza da medalha de bronze, comemorou da forma tradicional: esticou os braços e fez o “aviãozinho”. Mereceu uma ovação das milhares de pessoas que assistiam à chegada, no histórico Estádio Panatinaiko, sede da primeira edição olímpica moderna, em 1896. Vanderlei cruzou a distância em 2:12:11, enquanto que Baldini levou o ouro com 2:10:55, e Keflezighi a prata, com 2:11:29.

A reação de Vanderlei valorizou ainda mais a medalha. Avaliou que o acidente prejudicou sua prova, mas não fez críticas aos organizadores, nem menosprezou a conquista dos outros maratonistas e ficou feliz com o bronze. “Não esperava a agressão e não tive reação para me defender, porque estava concentrado. Aquilo me atrapalhou bastante, porque parei e perdi o ritmo. Não sei se venceria, mas certamente terminaria em melhores condições.”

A CBAt e o COB pediram que Vanderlei fosse considerado campeão, juntamente com Baldini. O caso chegou à Corte de Arbitragem do Esporte (CAS), com sede em Lausane, na Suíça, mas o resultado foi mantido. Como reconhecimento, Vanderlei foi premiado com a medalha Pierre de Coubertin, honraria muito especial concedida pelo Comitê Olímpico Internacional.

Vanderlei mostrou-se fundista de talento desde os tempos de juvenil. Em 1994 foi convidado para puxar o ritmo (ser o coelho) da Maratona de Reims, na França. Cumpriu o acordo com os organizadores, marcou o tempo nos 21 km. Aí, como se sentia bem, decidiu continuar na prova e terminou em 1º lugar, com 2:11:06.

O recorde pessoal – 2:08:31 – ele conseguiu na Maratona de Tóquio 1998, quando terminou em 2º lugar. Também tem o melhor resultado para a maratona disputada em território nacional – com 2:11:19, com a vitória da Maratona de São Paulo. Bicampeão pan-americano (em Winnipeg 1999 e Santo Domingo 2003), ganhou a medalha de prata com a equipe brasileira no Mundial de Maratona em Revezamento de Copenhague 1996.

Vicente Lenilson de Lima

Velocista tem bons resultados pessoais e medalhas por equipes

Vicente Lenilson de Lima é elo entre três talentosas gerações de velocistas brasileiros, e dono de duas medalhas de prata de grande importância para o atletismo. O potiguar competiu com Robson Caetano, no Mundial de Atenas em 1997. Era o titular na equipe medalhista olímpica em Sydney 2000, que tinha Claudinei Quirino entre os titulares. E no PAN 2007 foi campeão dessa vez com ao lado do jovem Rafael Ribeiro.

Potiguar de Currais Novos, Vicente Lenilson de Lima nasceu em 4 de junho de 1977. O técnico Zezinho Figueiredo reconheceu seu potencial para a velocidade.

O desenvolvimento de Lenilson foi bem rápido. Aos 20 anos já estava na seleção brasileira como reserva do 4x100 m nos Campeonato Mundial de Atenas 1997. Ganhou a posição de titular com a contusão de André Domingos da Silva. O quarteto foi finalista e terminou na 6ª colocação, com 38.48. A seu lado, Claudinei Quirino da Silva, Robson Caetano da Silva e Edson Luciano Ribeiro. Desde então, Lenilson passou a ter a preferência como primeiro homem, por sua boa largada.

Em Sydney, correu para a consagração no 4x100 m. Na final abriu muito bem a prova, que resultaria na conquista da medalha de prata, com recorde sul-americano de 37.90.

Depois de Sydney, mudou-se para Presidente Prudente (SP), onde já estavam os outros principais velocistas do País, para treinar com Jayme Netto Junior. Foi titular em 2003 no PAN, em Santo Domingo, quando o quarteto ganhou ouro. No mesmo ano, estava na equipe ganhadora da prata no Mundial de Paris. Outro ouro no PAN veio no Rio de Janeiro 2007.

Lenilson tem bons resultados nas disputas individuais nos 100 m e 200 m. Nos 100 m, seu melhor tempo é 10.13, com vitória no Troféu Brasil Caixa de 2004, em São Paulo. No mesmo ano, pouco antes, havia vencido os 200 m no GP Brasil Caixa, em Belém, com 20.39. É bicampeão ibero-americano (Huelva 2004, na Espanha, e Ponce 2006, em Porto Rico).

No Mundial Indoor de Moscou 2006 foi à final e terminou em 7º lugar, com 6.62 para os 60 m. Horas antes, em 10 de março, marcou 6.60 e superou um recorde de 16 anos que pertencia a Robson Caetano. Lenilson faz parte do POGRAMA CAIXA HERÓIS OLÍMPICOS, da CBAt.

 

 
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