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Estudo

Estudo das Principais Medidas Antropométricas e da Composição Corporal de Marchadores Brasileiros

Silva, Ivo da
Brandão, Juliana da Silva
Sloboda, Rosangela
Mestres em Educação Física.
Universidade Regional de Blumenau – FURB – SC
profiivo.bnu@terra.com.br

RESUMO

A Marcha Atlética é uma atividade desportiva de elevado dinamismo que exige uma tipologia física particular. O presente estudo visou à identificação das principais características das medidas antropométricas e da composição corporal dos marchadores brasileiros, participantes da XIII Copa Brasil de Marcha Atlética realizada na cidade de Florianópolis em 2001, tendo em vista que tais atletas constituem a elite brasileira da prova. Dos oitenta e sete competidores do evento, participaram voluntariamente da pesquisa, quarenta e seis atletas (52,9%) sendo vinte e dois (47,8%) do sexo masculino e vinte e quatro (52,2%) do sexo feminino, com medias de idade de 20,1 e 18,5 anos, respectivamente. Na análise dos dados foram empregados os procedimentos da estatística descritiva de comparação das médias entre os seis grandes grupos formados e sobre estes resultados, aplicou-se o teste “t” de Student ao nível de confiança de 0,05. Os resultados revelam que os melhores marchadores brasileiros são muito jovens e apresentam valores mais elevados que os adultos em várias características antropométricas, com exceção das dobras cutâneas, o que sugere, no futuro, o predomínio de marchadores com maiores estruturas que os atuais.

Palavras chave: atletismo; marcha atlética; perfil antropométrico; composição corporal.

INTRODUÇÃO
A marcha atlética é uma das especialidades do atletismo menos conhecida e difundida, apesar de estar incluída nos Jogos Olímpicos, Campeonatos Mundiais, Copas do Mundo e Jogos Pan-americanos com três provas, sendo duas delas disputadas pelos homens (20 e 50 Km) e uma pelas mulheres (20Km).
A marcha natural ou o caminhar constitui um dos fatores essenciais na bipedestação humana sendo que nela se fundamentam algumas das ações motoras mais importantes do indivíduo (Betran, 1990).
A marcha natural se diferencia da marcha atlética na sua técnica de realização, pois a primeira se desenvolve com flexão do joelho da perna de apoio, enquanto que na segunda a perna dianteira sempre se estende completamente.
Esta extensão compulsória determinada pelos regulamentos faz com que esta disciplina desportiva perca a sua naturalidade, requerendo do praticante um maior esforço para manter por um longo tempo uma atitude forçada.
De acordo com o artigo 230 do manual 2004-2005 da Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF), define-se marcha atlética como uma progressão de passos, executados de tal maneira que o marchador mantenha um contato contínuo com o solo, não podendo ocorrer, pelo menos aos olhos humanos, a perda do contato com o mesmo.
A perna que avança deve estar reta, isto é, não flexionada no joelho, desde o primeiro contato com o solo, até a posição ereta vertical.
Se a forma de progressão de um competidor não se ajusta, durante alguma parte da competição, ao estabelecido na definição anterior, o competidor será desclassificado e informado da sua desclassificação pelo Árbitro Chefe ou Árbitro Chefe Auxiliar.

CONSIDERAÇÕES TÉCNICAS E BIOMECÂNICAS
O movimento humano, na modalidade de atletismo, se divide em quatro partes: corridas, saltos, lançamentos e marcha, sendo que neste estudo abordam-se exclusivamente as provas de marcha.
Existem duas maneiras de marchar: a marcha normal e a marcha competitiva, sendo que para Roszczcewsky apud Martins Junior e Feitosa (1999) a marcha competitiva é derivada da marcha normal transformada para uso competitivo, onde na busca dos melhores resultados, desloca-se com maiores velocidades. Para obter tal efeito, aumenta-se a amplitude e a freqüência da passada.
Na marcha atlética, a aquisição de uma boa técnica de deslocamento é determinante nos resultados, se for considerado que o marchador deve ajustar-se permanentemente às normas impostas pelas regras.
O técnico e o atleta deverão atentar preferencialmente para o aperfeiçoamento gestual e na aquisição de um estilo eficaz que respeite as normas regulamentares e permita obter um rendimento máximo.
Segundo Hausleber (s.d.), a técnica pode ser definida como a relação de variação do movimento da maneira mais correta e econômica em acordo com as leis e princípios da biomecânica, sendo que o estilo é a adoção da técnica nos limites e possibilidades individuais do atleta. A marcha atlética não é somente uma atividade atlética, mas também uma técnica de locomoção eficiente utilizando-se as alavancas das pernas e pés, complementado pelos quadris e equilibrado pelos ombros e braços.
O trabalho das pernas do marchador deve ser bem caracterizado pela ação distinta que apresenta na execução da passada completa, sendo que a perna de trás, inicia uma ação de impulsionar o corpo para frente, através de um movimento completo de rolamento, do calcanhar para a ponta do pé, ação esta que contribui para determinar a amplitude final da passada (Barros & Dezem, 1987).
A inexistência da flexão do joelho obriga o marchador a realizar um movimento compensador de quadril característico em todos os marchadores de boa técnica e indispensável para obter um deslocamento uniforme que evite a elevação do corpo cada vez que passe por sobre a perna de apoio e o descenso deste no momento da máxima separação das pernas que ocorre no duplo apoio no solo.
O movimento do quadril em cada passo, possui capital importância, pois reduz notoriamente as oscilações do centro de gravidade do corpo motivadas pela eliminação da flexão do joelho, tornando-se assim, o quadril, no ponto de apoio de todo o movimento. (Guaita, 1973).
Os ombros e braços trabalham em forma diagonal, cruzando o tronco numa ação que compensa a ação das pernas e quadris. No instante em que o calcanhar toma contato com o solo, o ombro oposto se move à frente para compensar o movimento da perna que está na fase de apoio dianteiro. Neste instante, o eixo dos ombros mostra a maior defasagem com respeito ao eixo dos quadris. A mão e o antebraço cruzam ligeiramente até a linha média do tórax. O ângulo do cotovelo aumenta e se transforma em um ângulo obtuso, no impulso dianteiro, e diminui até 90 graus no impulso traseiro. As mãos não devem levar-se atrás do tronco. (F.I.A.A. 1999).

CARACTERISTICAS ANTROPOMÉTRICAS DOS MARCHADORES
Os movimentos realizados para a locomoção do atleta nas provas de marcha atlética são altamente variáveis, não somente entre os diferentes atletas, como também existem diferenças para um mesmo indivíduo quando emprega diferentes velocidades e por ocasião da tomada de cada apoio.
De acordo com Bruniera (1998), a locomoção humana é constituída de muitos fenômenos interligados, que compõem uma estrutura complexa para análise e interpretação.
Para Guaita (1973), a marcha é uma atividade desportiva de elevado dinamismo que, além de exigir uma grande capacidade orgânica e técnica, reserva ao sistema muscular, articular e ósseo uma importante participação, destacando-se três regiões: a região da cintura escapular, a região dorso-lombar e abdominal e a região das extremidades inferiores.
A marcha atlética exige uma tipologia física particular, que segundo Guaita (1973) pode ser resumida nas seguintes características: estatura elevada, longilíneo, elasticidade muscular elevada, mobilidade dorso-lombar ou pélvica, capacidade orgânica superior e grande força de vontade para suportar esforços prolongados. Segundo Pollock e Wilmore (1993), o desenvolvimento de perfis antropométricos capazes de descrever as características associadas aos atletas de elite, tem propulsionado o progresso no campo desportivo, possibilitando ainda comparações entre os dados destes atletas e os dados obtidos de atletas aspirantes.
Ainda para Pollock e Wilmore (1993), os perfis antropométricos relacionados à composição corporal podem refletir tanto os níveis de treinamento do atleta, como podem refletir a bagagem genética mais favorável para determinado esporte.
Nesta revisão da literatura, não se encontraram investigações sobre este tema no Brasil, relacionados com os participantes das provas de marcha atlética. Diante disto, pretendeu-se com este trabalho, identificar as principais características das medidas antropométricas e da composição corporal dos atletas marchadores brasileiros, possibilitando desta maneira o estabelecimento de um perfil do atual grupo dos praticantes desta prova do atletismo.

MATERIAIS E MÉTODOS
Participaram voluntariamente do estudo, atletas marchadores de vários estados brasileiros que competiram na XIII Copa Brasil de Marcha Atlética realizada na cidade de Florianópolis-Santa Catarina, nos dias 23 e 24 de março de 2001.
Foram inscritos para participar da competição 105 atletas sendo 57 do sexo masculino e 48 do sexo feminino. Destes inscritos, efetivamente competiram 87 atletas, distribuídos em três categorias conforme mostra a tabela 1.

CATEGORIAS MASCULINO FEMININO TOTAL
Menores (13 a 17 anos) 14=29,2% 22=56,4% 36=41,4%
Juvenil (18 e 19 anos) 12=25,0% 8=20,5% 20=23,0%
Adultos (+ de 19 anos) 22=45,8% 9=23,1% 31=35,6%
TOTAL 48=55,2% 39=44,8% 87=100%

Tabela 1- Distribuição por categoria dos marchadores da XIII Copa Brasil de Marcha Atlética.

A amostra foi constituída por 46 atletas (52,9% da população), distribuídos de acordo com a tabela 2.

CATEGORIAS MASCULINO FEMININO TOTAL
Menores 6=27,2% 14=58,3% 20=43,5%
Juvenil 8=36,4% 4=16,7% 12=26,1%
Adulto 8=36,4% 6=25% 14=30,4%
TOTAL 22=47,8% 24=52,2% 46=100%

Tabela 2 – Número de marchadores pesquisados por categoria.

As classificações obtidas pelos atletas que compuseram a amostra foram as relacionadas de acordo com o tabela 3.

CATEGORIAS MASCULINO FEMININO
Menores 1º, 4º, 5º, 6º, 8º, DQ@9º. 1º,2º,3º,4º,5º,7º,AB@7º,8º,9º,DQ@10º,11º,13º,16º, 17º
Juvenil 1º, 2º, DQ@4º, DQ@7º, 8º, 10º, DQ @12º, 16º. 2º, 3º, 9º, 10º.
Adulto 1º, 1º,2º,3º,7º,9º,NC@10º, 12º 2º,3º,4º,AB@4º,6º, 8º

Tabela 3 – Classificações obtidas pelos marchadores da amostra.

Legenda: NC = não competiu; AB= abandonou; DQ = desclassificado
@ Classificação aproximada obtida nos anos anteriores

Os atletas que não completaram as provas e que participaram da coleta dos dados, antes da competição, tiveram as suas classificações baseadas nas suas participações da Copa Brasil de Marcha Atlética de 2000, ou nas suas posições dos Rankings Brasileiros de 1999/2000.
Foram formados os seguintes grupos de avaliados de acordo com as colocações obtidas (tabela 4), sendo que os atletas classificados até 6º lugar constituem o grupo dos melhores atletas e os atletas classificados do 7º lugar em diante constituem o grupo dos atletas não classificados

CATEGORIA Melhores Atletas Atletas não classificados
MASCULINO 1º,1º,1º,1º,2º,2º,3º,4º,DQ@4º,5º,6º 7º,DQ@7º,8º,8º,9º,DQ@9º,10º,NC@10º,12º,DQ@12º,16º
FEMININO 1º,2º,2º,2º,3º,3º,3º,4º,4º,AB@4º,5º,6º 7º,AB@7º,8º,8º,9º,9º,10º, DQ@10º,11º,13º,16º,17º

Tabela 4 – Classificações obtidas pelos melhores atletas e atletas não classificados.

As medidas antropométricas foram obtidas utilizando-se os seguintes instrumentos:
A massa corporal foi medida com uma balança Filizola com precisão de 100g.
Para a estatura, empregou-se um estadiometro de madeira com medidas de 0,5 cm.
As dobras cutâneas foram efetuadas, com um plicômetro Cescorf com precisão de décimos de milímetros, segundo as técnicas apresentadas por Benedetti et al (1999).
Os diâmetros ósseos foram medidos, com um paquímetro Digimess digital com precisão de centésimos de centímetros, de acordo com as técnicas indicadas por Velho e Schwingel (1999).
Os perímetros, comprimentos e alturas foram medidos com uma fita métrica de fibra de vidro com precisão de um milímetro, sendo que os perímetros foram obtidos pelas técnicas apresentadas por Lopes e Martins (1999) e os comprimentos e alturas pelas técnicas indicadas por Alvarez e Pavan (1999).
Para estimar o percentual de gordura, utilizou-se a equação de Siri (1961): %G=(495/D)-450, sendo que a densidade (D) foi calculada através das equações generalizadas para a estimativa da densidade corporal em adultos brasileiros desenvolvidas por Petroski em 1995, como segue:
Para mulheres- D=1,02902361-0,00067159(X4)+0,00000242(X4)²-0,00026073(ID)-0,00056009(MC)+0,0005464(ES).
Para homens - D=1,110726863-0,00081201(X4)+0,00000212(X4)²-0,00041761(ID). onde:
X4= å4DC(subescapular + tríceps + suprailiaca + panturrilha)
ID= idade em anos.
MC= massa corporal em Kg.
ES= estatura em cm.
Ressalte-se que neste estudo, em virtude da combinação das análises dos atletas por categorias de idades, categoria geral e categorias melhores e não classificados, optou-se pelo enquadramento dos atletas abaixo de 18 anos na mesma fórmula de calculo da densidade corporal. O índice de massa corporal (IMC) foi calculado utilizando-se a seguinte fórmula: IMC(kg/m²)= MC/ES², onde: MC= massa corporal e ES= estatura.

APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS.

Os resultados médios das variáveis antropométricas obtidas são apresentados nos gráficos e tabelas de números 5 a 18, que foram agrupados 2 a 2 para as devidas análises.
Os gráficos e tabelas 5 e 6 referem-se às médias das idades de cada um dos grupos e subgrupos formados, sendo que os gráficos e tabelas 7 e 8 apresentam as médias das massas corporais obtidas.
Os gráficos e tabelas 9 e 10 apresentam dados relativos ao percentual de gordura (% G) e os índices de massa corporal (IMC) obtidos. Os gráficos e tabelas 11 e 12 referem-se às médias das sete dobras cutâneas coletadas, embora nem todas foram empregadas para os cálculos das densidades corporais que serviram para calcular o percentual de gordura apresentada.
Os gráficos e tabelas 13 e 14 apresentam os perímetros que podem ser importantes para se analisar os índices de desenvolvimento muscular e a composição corporal de um marchador.
Finalmente os gráficos e tabelas 15 a 18 apresentam os principais diâmetros, alturas e comprimentos, que de acordo com as considerações técnicas e biomecânicas, podem influir no desempenho de um marchador.
Analisando-se os gráficos e tabelas 5 e 6, pode-se observar que tanto no masculino quanto no feminino, a média de idade dos melhores marchadores brasileiros encontra-se próxima dos vinte anos e meio.
A diferença mais significativa (p < 0,05) ocorreu entre os atletas não classificados nas primeiras seis colocações, onde foi constatada a média de 15,7 anos para o feminino e 19,8 anos para o masculino.

De acordo com os gráficos e tabelas 7 e 8, estatisticamente ficou evidenciado, para um p<0,05, que apenas foi significativo o aumento da massa corporal dos marchadores das categorias menores para as categorias juvenis, sendo que não ocorreram diferenças estatisticamente relevantes entre os melhores marchadores e os não classificados.

Os gráficos e tabelas 9 e 10 mostram que houve diferenças estatisticamente significativas nos IMC apenas entre as categorias de menores e as de adultos, tanto nos naipes masculino quanto no feminino, sendo que os maiores valores ocorreram nas categorias adultas.
No que diz respeito aos percentuais de gordura, no naipe masculino não ocorreram diferenças significativas, no entanto, no naipe feminino foi estatisticamente significativo (p<0,05) o maior percentual encontrado para a categoria adulta em relação à categoria de menores.

De acordo com as tabelas 11 e 12, pode-se observar que, em geral, os melhores marchadores apresentaram menores valores medidos, das suas dobras cutâneas, que os atletas não classificados, tanto no masculino quanto no feminino.
Todas as dobras cutâneas dos integrantes da categoria menores masculino apresentaram as maiores medidas, sendo que a maioria das menores medidas, foram obtidas na categoria juvenil, com exceção das dobras da panturrilha e supra-iliaca que foram encontradas no adulto.
Já no feminino, a maioria das menores medidas foram obtidas na categoria menores e a maioria das maiores medidas estão na categoria adulta.

  Geral Melhores Ñ. Classif Menores Juvenil Adulto
Tríceps 7,4 6,9 7,9 7,5 7,3 7,3
Subescapular 11,4 10,9 11,8 11,7 10,8 11,7
Axilar Média 9,3 8,5 10,1 9,9 8,3 9,9
Supra-íliaca 9 7,9 10 10,8 8,5 8,1
Abdominal 11,9 10,3 13,5 12,1 11,8 11,8
Coxa 10,3 10,1 10,4 11,4 8,6 11,1
Panturrilha 7,1 7,4 6,8 7,1 7,1 7

Tabela 11– Médias das principais dobras cutâneas dos marchadores brasileiros em mm.

  Geral Melhores Ñ. Classif Menores Juvenil Adulto
Tríceps 14,8 14,9 13,9 13,5 14,1 18,2
Subescapular 14,4 14,4 14,1 13,6 13,1 17
Axilar Média 14,2 13,8 14,1 13,3 13,5 16,8
Supra-íliaca 13,6 12,9 14,2 14,1 14,4 12
Abdominal 21,9 21,1 21,3 21 22,8 23,5
Coxa 28,1 27,2 28 26,6 31,4 29,5
Panturrilha 13,1 12,8 12,9 12,3 13,7 14,8

Tabela 12 – Medias das principais dobras cutâneas das marchadoras brasileiras em mm.

A tabela 13 mostra que, os melhores marchadores apresentaram perímetros menores que os não classificados, com exceção do perímetro da coxa, que também foi o único de menor valor encontrado na categoria adulta em relação às outras categorias.
Os perímetros dos marchadores masculinos adultos apresentaram os maiores valores e os integrantes da categoria de menores, por outro lado, apresentaram os valores mais baixos. Como exceção, foi constatada a medida do perímetro da coxa, com valor mais elevado para a categoria juvenil.
Na tabela 14, para o sexo feminino, pode-se comprovar que, todos os perímetros das melhores atletas apresentaram maiores medidas que das atletas não classificadas. As marchadoras adultas apresentaram os maiores valores nos perímetros relacionados com a região central do corpo, enquanto que as outras medidas foram superiores na categoria juvenil.

  Geral Melhores Ñ. Classif. Menores Juvenil Adulto
Torácico 86 85,5 86,5 82,2 86,4 88,5
Braço 24,4 24,2 24,7 23,5 24,2 25,4
Antebraço 24,2 24 24,3 23,4 24,3 26,6
Abdominal 72,3 72,2 72,4 70,5 72,6 73,4
Quadril 87,1 87,1 87,1 85,2 86,9 88,9
Coxa 48,6 45,7 51,5 49,4 50,6 46,1
Perna 34,4 34,3 34,5 33,1 34,7 35,1
Tornozelo 21,2 21,4 21 20,5 21,4 21,5

Tabela 13 – Médias dos principais perímetros dos marchadores brasileiros em cm.

  Geral Melhores Ñ. Classif Menores Juvenil Adulto
Torácico 79,9 82,5 77,3 77,6 84,5 82,1
Braço 22,4 22,9 22 21,4 24 23,7
Antebraço 21,5 21,7 21,5 21 22,5 21,8
Abdominal 69 69,9 68,3 67,4 70,1 72,2
Quadril 87,2 88,9 85,3 85,1 88,4 91,6
Coxa 51,1 52,4 49,8 49 54 54,1
Perna 32,6 33 32,2 31,5 34,7 33,8
Tornozelo 20,1 20,1 20,2 19,7 21 20,5

Tabela 14–Médias dos principais perímetros das marchadoras brasileiras em cm.

Pelos gráficos e tabelas 15 e 16, constata-se que os diâmetros dos melhores marchadores de ambos os sexos apresentaram maiores valores que os obtidos entre os atletas não classificados, sendo a exceção ocorrida com o diâmetro biiliocristal dos atletas masculino.
A categoria adulta masculina apresentou o maior diâmetro biacromial, enquanto que a categoria juvenil foi superior nos diâmetros biiliocristal e bitrocantérico.
A categoria adulta feminina apresentou, por sua vez, o maior diâmetro bitrocantérico enquanto que, a categoria juvenil foi superior nos diâmetros biacromial e biiliocristal.

Finalmente, de acordo com os gráficos e tabelas 17 e 18, embora não seja estatisticamente significativas (p<0,05), os melhores marchadores masculinos e femininos apresentaram alturas menores que os atletas não classificados.
Os atletas das categorias juvenis apresentaram maiores alturas que os de outras categorias, com exceção da altura trocantérica que foi superior na categoria adulta feminina.
Os maiores valores para o cumprimento do pé foram obtidos entre os atletas da categoria juvenil, tanto no masculino quanto no feminino.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com base nos resultados obtidos e levando em consideração os objetivos do estudo, pôde-se observar que:
A média de idade dos melhores marchadores brasileiros, de ambos os sexos, situou-se próxima dos vinte anos, que coincide com o primeiro ano na categoria de adultos, indicando provavelmente uma grande renovação de atletas para as provas de marcha atlética no Brasil.
Na transição da categoria de menores para a categoria de juvenis, ocorreu um aumento significativo na massa corporal dos marchadores de ambos os sexos, aumento este não provocado pelas elevações dos índices de massa corporal nem pelos percentuais de gordura.
Nas categorias femininas com idades superiores (Juvenil e Adulto), constatou-se uma tendência de aumento nos percentuais de gordura, principalmente causadas pelas dobras cutâneas em torno do quadril, enquanto que, nas categorias masculinas não ocorreram mudanças significativas.
Os atletas da categoria juvenil apresentaram valores mais elevados que os adultos em várias características antropométricas com exceção das dobras cutâneas, o que sugere, no futuro, o predomínio de marchadores adultos com maiores estruturas que os atuais.
Finalmente, estes resultados podem sugerir que, a partir deles, seja possível estabelecer alguns parâmetros de comparação entre os marchadores brasileiros e marchadores de nível internacional, assim como para orientar os treinadores na prospecção de novos talentos para a modalidade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Alvarez, B. R. & Pavan, A. L. (1999). Alturas e comprimentos. In E.L. Petroski (Org.) Antropometria: técnicas e padronizações. (pp 29-51). Porto Alegre: Pallotti.

Barros, N. & Dezem, R. (1987). O atletismo. São Paulo: Apoio.

Benedetti, T. R. B., Pinho, R. A. & Ramos, V. M. (1999). Dobras cutâneas. In E. L. Petroski (Org.) Antropometria: técnicas e padronizações. (pp 53-67). Porto Alegre: Pallotti.

Betran, J.O. (1990). 1169 ejercicios y juegos de atletismo. Barcelona: Paidotribo.

Bruniera, C.A.V. (1998). Análise biomecânica da locomoção humana: andar e correr. Treinamento Desportivo, 3 (3), 54-61.

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Guaita, O. (1973). La marcha atletica. Stadium, 38, 9-13.

Hausleber, J. (s.d.). La tecnica dei marciatori messicani. Apostila, Settimana internazionale della marcia, Cidade do México.

I.A.A.F., Asociación lnternacional de Federaciones de Atletismo. (2004) Reglas de Competición 2004-2005. Mônaco: IAAF.

Lopes, M. A. & Martins, M. O. (1999). Perímetros. In E. L. Petroski (Org.) Antropometria: técnicas e padronizações. (pp 69-86). Porto Alegre: Pallotti.

Martins Junior, J. & Feitosa, J.E. (1999). Motivação no atletismo: o caso da marcha atlética. Treinamento Desportivo, 2(4), 20-30.

Petroski, E. L.(Org).(1999).Antropometria: técnicas e padronizações. Porto Alegre: Pallotti.

Pollock, M. L. & Wilmore, J. H. (1993).Exercícios na saúde e na doença. Rio de Janeiro: Medsi.

Velho, N. M. & Schwingel, A. C. (1999). Diâmetros ósseos. In: E. L. Petroski (Org.) Antropometria: técnicas e padronizações. (pp 87-103). Porto Alegre: Pallotti.

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