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Atletismo Campeão faz parte da Categoria Ouro da CBAt

Projeto Atletismo Campeão/Divulgação CBAt

Da capital ao sertão pernambucano, o projeto e a equipe AAPD disseminam o atletismo com atuações na área social, na iniciação, no treinamento, no alto rendimento, no esporte universitário, máster e paralímpico

Bragança Paulista - O Atletismo Campeão é um dos 60 'centrinhos' do Brasil - funciona em Recife, com polos em várias cidades de Pernambuco, e está classificado como Categoria Ouro dentre os Centros de Formação da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt). Faz parte de um projeto de atletismo com extensões, que “tem um pouco de tudo”, como explica Abraão Nascimento, criador da equipe AAPD - Associação de Apoio a Pessoa com Deficiência - e do Projeto Atletismo Campeão. O atletismo é a ferramenta para o trabalho social, de iniciação, de treinamento, no alto rendimento, no universitário, no máster e no paralímpico que vem sendo desenvolvido em Pernambuco.



“Fazemos tudo por meio do atletismo. Temos um projeto social com a comunidade menos favorecida próxima do Parque Esportivo Santos Dumont, no Recife. Vamos para o interior distribuindo cestas básicas, doadas pela Dular Alimentos e Paratodos.org, e tênis e uniformes, com apoio de ex-atletas e assessorias.”



Abraão acrescenta que em parceria com atletas, ex-atletas - profissionais formados pelo projeto - ou familiares de atletas há também os atendimentos nas áreas de odontologia, ginecologia, oftalmologia, nutrição e fisioterapia. As aulas de inglês e a Casa do Atleta foram suspensos na pandemia e têm dificuldades para retornar por falta de recursos para manutenção. 



A pista do Santos Dumont recebe o Festival Érica Rocha de Sena do Projeto Atletismo Campeão, com medalhas para todos, o Festival do Dia das Crianças, o Campeonato Pernambucano AAPD de Atletismo Máster e o Festival de Talentos AAPD – com música, dança, desenho, pintura e teatro -, organizado pelos atletas.



Na iniciação, treinamento, alto rendimento, máster e paralímpico há o envolvimento de profissionais, em boa parte ex-atletas, em Recife. No interior, o projeto oferece consultoria gratuita e cursos da CBAt e do CPB - Comitê Paralímpico Brasileiro. “E nossos professores também são profissionais do interior, ex-atletas que vieram morar em Recife e puderam cursar a faculdade de graça, educação física, fisioterapia, nutrição, todos oriundos do projeto”, informa Abraão.



O atletismo é desenvolvido em dez cidades pernambucanas – Recife é a sede. Está presente em Abreu e Lima, Pesqueira - Centro de Formação de onde saíram atletas para a seleção jínior do Pan de Cáli -, Arcoverde, Ibimirim, Petrolândia, Ouricuri, Exu, Bodocó, Ipubi. “E estamos iniciando o trabalho em Tacaratu”, anuncia Abraão. Na pandemia, alguns desses polos ficaram desativados e estão voltando ainda.



A maranhense de Bacabal Tauanne Jussane é um dos destaques. A atleta do lançamento do disco e arremesso do peso foi bronze no Brasileiro Sub-23, prata e bronze nos Jogos Universitários Brasileiros, ouro no Jogos Universitários de Pernambuco, ouro no Troféu Norte Nordeste e campeã pernambucana.



Há outros destaques formados em Pernambuco no atletismo nacional. José Fernando Ferreira Santana, o Baloteli, Maria Lucineida da Silva Moreira, Ingrid Iohana Martins e Mirelle Leite da Silva são alguns dos atletas que integraram a seleção brasileira de atletismo nos Jogos Pan-Americanos Junior de Cáli, na Colômbia, o final de novembro e início de dezembro.



“O projeto que é emblemático aqui é o de Pesqueira, uma parceria antiga e altamente positiva nos últimos anos. O atleta paralímpico Gel Sá Santos foi o primeiro que se destacou – em seis meses ele estava na final paralímpica no Rio, foi campeão mundial júnior, finalista na Paralimpíada de Tóquio, 4º colocado", afirma Abraão. Há destaques como José Santana, o Baloteli, do decatlo, formado no projeto, Maria Lucineida da Silva Moreira, dos 10.000 m, e Mirelle Leite da Silva, dos 3.000 m com obstáculos, campeões sul-americanos sub-23 e que podem chegar aos Jogos Olímpicos de Paris-2024 e de Los Angeles-2028.



O trabalho reúne equipe paralímpica, com 40 atletas com deficiências e guias, integrantes do staff e o treinador; um time universitário com 40 atletas; 140 alunos, com idades de 6 a 16 anos, na iniciação (também com deficiência); 213 atletas filiados a CBAt, com inscrições válidas; e uma equipe máster com 40 pessoas.



O projeto foi criado em 1989 quando Abraão Nascimento entrou na Universidade Federal de Pernambuco e já no primeiro período começou a trabalhar com atletismo. “Na época, visualizava o atletismo de Pernambuco mantendo os atletas que se destacavam no Estado. Minha intenção era formar atletas que ficassem em Pernambuco. Vi a oportunidade de trabalhar com o atletismo que era algo que eu gostava de fazer. Após o Pan do Rio, em 2007, o Atletismo Campeão ganhou o formato como é hoje”, conta Abraão.



A ideia foi democratizar o acesso ao atletismo e também levar a modalidade para as regiões menos desenvolvidas. O projeto foi para o sertão, com Ouricuri e depois Petrolina – que se tornou independente e hoje é um Centro de Formação categoria bronze. “A nossa ideia é de que outros sejam independentes, que mais cidades assumam o protagonismo e se transformem em centros de formação”, explica Abraão Nascimento.



O atletismo sempre andou em direção a capital Recife, mas o interior começou a ter atletas nas seleções estaduais e campeões brasileiros sendo formados e descobertos no sertão. Muitos vêm para a capital estudar na Uninassau, um ciclo alimentado anualmente. "Descoberto no interior, vem para a capital, estuda, se forma, volta e alimenta de novo essa máquina", ressalta Abraão.



A novidade no sertão é a cidade de Tacaratu, em que a Secretaria da Educação decidiu implantar o Atletismo Campeão. O atletismo vai virar matéria da rede de ensino da cidade. Dois campos de futebol estão sendo avaliados para abrigar a pista de atletismo e o projeto também prevê a capacitação dos professores da rede e a adoção de um calendário de atividades para a promoção de festivais e competições locais.



A saltadora Keila Costa, medalhista em mundial, em transição de carreira, tem atuado no projeto, em Recife. “Sempre acreditei que o atleta prefere treinar com o ídolo. É organizada e trouxe um diferencial para a pista, uma gama de atividades que antes não se fazia. Conseguiu motivar um time e hoje temos com ela nove atletas, sete nossos, dois do Sport. É muito séria, capacitada e vem fazendo um ótimo trabalho”, testemunha Abraão.



“É uma associação que ajuda pessoas de extrema pobreza, que não teriam condições de cursar uma faculdade, muda vidas e transforma. As bolsas e auxílio em campeonatos brasileiros pelo CBC (Comitê Brasileiro de Clubes) para viagens e competições permitem a realização de sonhos de atletas e famílias. É uma associação que forma atletas e cidadãos, salva pessoas, tira jovens das drogas e proporciona a famílias momentos que nunca tiveram, com as extensões do projeto”, afirma o professor Tiago Ferreira da Silva, de Petrolândia, que concluiu o curso de Educação Física no fim deste ano de 2021.



“Há muito tempo a cidade de Pesqueira produz alguns jovens atletas talentosos, mas que não chegavam a competir em nível nacional por falta de apoio e logística. Muitos se evadiram do atletismo por não terem uma perspectiva de futuro. A partir do momento que a AAPD se vinculou a nós, os nossos jovens atletas começaram a vislumbrar metas e objetivos até então, aparentemente inatingíveis”, afirma o professor José Hildo, de Pesqueira.



O projeto tem os patrocínios das Loterias Caixa, Bolsa Atleta de Pernambuco, Prefeitura de Tacaratu, Dular Alimentos, Uninassau, ParaTodos ONG, Gigavida Tecnologia e CBC. 



A NewOn é patrocinadora do atletismo brasileiro para a saúde integral dos atletas e apoio às competições.



As Loterias Caixa são a patrocinadora máster do atletismo brasileiro.